En el decenio que siguió a la crisis
se notó la declinación del coeficiente de ternura
en todos los países considerados
o sea
tu país
mí país
los países que crecían entre tu alma y mi alma de repente
duraban un instante y antes de irse
o desaparecer
dejaban caer sábanas llenas de nuestros sexos que salían volando alrededor como perdices
quiere decir que cada vez que hicimos el amor dejábamos nuestros sexos allí?
y ellos seguían vivitos y coleando como perdices suavísimas?
qué raro
mirá que lavábamos las sábanas con subordinación y valor
para que los jugos de la noche pasada no inauguraran el pasado
y ningún pasado pusiera una oficina entre nosotros para ordenarnos el hoy
porque el alma amorosa es desordenada y perfecta
tiene mucha limpieza y lindura
se necesita todo un Dios para encerrarla
como le pasó a don francisco
que así pudo cruzar la agua fría de la muerte
es bien raro eso de nuestros sexos volando
pero recuerdo ahora que cada vez que yo entraba en tu sexo
y me bañaban tus espumas purísimas con impaciencia
y dulzura y valor
me parecía oir un pajarerío en el bosque de vos
como amor encendiendo otro amor
o más, es cierto que cada vez nuestros sexos resucitaban
y se ponían a dar vueltas entre ellos
como maripositas encandiladas por el fuego
y se querían morir de nuevo buscando incesantemente la libertad
y había un país entre la vida y la muerte
donde todo era consolación y hermosura
y no poseíamos nuestro corazón
y nuestros sexos se perdían como almas en la noche
y nunca más los volvíamos a ver
para entender
estudio los índices de la tasa de inversióún bruta
los índices de la productividad marginal de las inversiones
los índices de crecimiento del producto amoroso
otros índices que es aburrido hablar aquí
y no entiendo nada
la economía es bien curiosa
al pequeño ahorrista del alma lo engañan en wall street
los sueldos de la ternura son bajos
subsiste la injusticia en el mercado mundial del amor
el aprendiz está rodeado de nubes que parecen elefantes
eso no le da dicha ni desdicha
en medio de las razones
las redenciones
las resurrecciones
se lleva el alma a la nariz para sentir tus perjúmenes
estoy viendo volar los pajaritos que te salían del sexo
mejor dicho
de más allá todavía
de todo lo que valías
o brillabas
o eras
y dabas como jugos de la noche.
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quarta-feira, 15 de janeiro de 2014
sexta-feira, 27 de setembro de 2013
quarta-feira, 3 de abril de 2013
os homens beijam-se na cara... e mais
Soube, há dias, que este hábito de os homens, no Uruguai e na Argentina, se beijarem na cara não é muito antigo. Tem a idade aproximada de terem começado a beber, da revolução russa, costumes e ideologias. Ou seja, terá começado nos anos 60 do século XX.
Não deixa de ser bonito de ver.
É, aliás, muito bonito de ver.
20h00
A esta hora, o Bar 36 enche-se de homens de meia-idade. Conversam, bebem o seu copo na mesa ou ao balcão e são, certamente, vizinhos da rua, vivendo nas antigas casas coloniais de tectos altos e fachadas de pedra trabalhada.
Lá fora, numa das mesas, um homem bonito de lenço na cabeça e cão aos pés, canta alto a música que lhe entra pelos ouvidos.
O varredor continua, há horas, a apanhar as folhas dos plátanos para sacos pretos, uns a seguir aos outros. Ainda não descobri para onde leva as folhas todas que apanha do chão.
Aqui dentro, futebol sem som na televisão e o Chico Buarque canta: existiria verdade, verdade que ninguém vê, se todos fossem no mundo iguais a você.
O cheiro a massa de pizza e a fainá entranha-se-me pelo nariz.
Não deixa de ser bonito de ver.
É, aliás, muito bonito de ver.
20h00
A esta hora, o Bar 36 enche-se de homens de meia-idade. Conversam, bebem o seu copo na mesa ou ao balcão e são, certamente, vizinhos da rua, vivendo nas antigas casas coloniais de tectos altos e fachadas de pedra trabalhada.
Lá fora, numa das mesas, um homem bonito de lenço na cabeça e cão aos pés, canta alto a música que lhe entra pelos ouvidos.
O varredor continua, há horas, a apanhar as folhas dos plátanos para sacos pretos, uns a seguir aos outros. Ainda não descobri para onde leva as folhas todas que apanha do chão.
Aqui dentro, futebol sem som na televisão e o Chico Buarque canta: existiria verdade, verdade que ninguém vê, se todos fossem no mundo iguais a você.
O cheiro a massa de pizza e a fainá entranha-se-me pelo nariz.
sábado, 16 de abril de 2011
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
O que eu consegui nestes dias?
Comprar roupa muito bonita, ter uma mochila com saco cama e colchão permanentemente na América Latina (não, não a vou levar de volta para os Açores!!! é a minha casa portátil cá deste lado do mar...), um bronze só por caminhar nas ruas, a cabeça a ficar no lugar, as certezas a aparecer no que diz respeito à produção de um filme que não faço ideia o que vai ser, um telemóvel uruguaio, duas mudanças de casa e outra a avizinhar-se, um transportista que se lembra de mim, um encontro com fardas da Armada Naval, um outro filme a vestir-se no Chile, cassetes a chegarem da Bolívia, uma curta filmada em Buenos Aires...
Coisa pouca entre tantas que não se podem contar!
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
universo e as mochilas
pois é... o universo continua a rodar. Ontem saí de Buenos Aires para Montevideo (Uruguai). Ia apanhar o barco das 15h30. Atrasei-me. Comprei bilhete para o das 16h15. O barco atrasou-se. Saiu às 17h... A essa hora, na Calle Maza, 28, tocavam à campainha... Era a minha mochila a chegar, 4 dias depois de mim!
Agora estou no Uruguai. A mochila na Argentina... a 3 horas de distância... e eu é que tenho que ir buscá-la?! Não sei se a quero. Talvez ela seja agora a minha casa ambulante na América Latina... e fica onde eu não estou! Ahahaha.
Agora estou no Uruguai. A mochila na Argentina... a 3 horas de distância... e eu é que tenho que ir buscá-la?! Não sei se a quero. Talvez ela seja agora a minha casa ambulante na América Latina... e fica onde eu não estou! Ahahaha.
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Almagro
Uma manhã na minha praça de Buenos Aires, o filósofo (único na América Latina), um carrossel, velhos e crianças, pombas, sol, verde, jaula, ruído, canto de pássaros, xadrez...
1 cassete já foi... e mais que houvesse. Mas é bom, assim!
1 cassete já foi... e mais que houvesse. Mas é bom, assim!
hoje não escrevo aqui
porque teria tanto, tanto para contar que não me chegam as palavras. Guardado! Fica tudo guardado. Não sei onde. Nem como. Nem para quê. Mas o que vivo mora em algum lugar...
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
chove em Buenos Aires
e está um calor mesmo bom!!!!
Que bem escolhido filmar hoje, hein?
Os seguros afinal não são seguros, apesar de morrerem de velhos.
Amanhã rumo ao Uruguai. Isto anda a render menos do que eu pensava... de qualquer maneira também ainda não tive propriamente tempo de aterrar... e a perda da mochila, confesso, anda-me a distrair um pouco. Preciso apenas saber onde está a dita cuja neste momento que é para lhe orientar o caminho. seguramente ela vai para um lado e eu para o outro. Ou seja, duas Marias a minar o mundo... uiiiii... que perigo!
Que bem escolhido filmar hoje, hein?
Os seguros afinal não são seguros, apesar de morrerem de velhos.
Amanhã rumo ao Uruguai. Isto anda a render menos do que eu pensava... de qualquer maneira também ainda não tive propriamente tempo de aterrar... e a perda da mochila, confesso, anda-me a distrair um pouco. Preciso apenas saber onde está a dita cuja neste momento que é para lhe orientar o caminho. seguramente ela vai para um lado e eu para o outro. Ou seja, duas Marias a minar o mundo... uiiiii... que perigo!
domingo, 30 de janeiro de 2011
soy lista
tenta abrir a porta ao meu lado. depois senta-se aqui, no canto esquerdo do ponto cego da minha visão. Estou concentrada a fazer contas, toca-me na cadeira. Olho-o nos olhos. A minha carteira no chão. Ainda com o olhar nele verifico se tenho tudo. Estamos a olhar-nos intensamente. Pergunto-lhe: que pasa? porque me tocas la silla?
por nada. la puerta. nada. ehhh
e gagueja e olha-me nos olhos e entendemo-nos.
sou uma mulher selvagem, às vezes.
Ele cancelou o pedido no balcão e foi-se embora. Quase lhe via a cauda entre as pernas, se ele fosse um cão, que não era. Se ele fosse um cão, estaríamos a esta hora com o meu passaporte e o cartão de crédito entre dentes a rosnar-nos, depois, num relâmpago, eu mordia-lhe seguramente a jugular e com 2 toques de dedos obrigava-o a um KO imediato... Por isso, ele foi-se embora!
por nada. la puerta. nada. ehhh
e gagueja e olha-me nos olhos e entendemo-nos.
sou uma mulher selvagem, às vezes.
Ele cancelou o pedido no balcão e foi-se embora. Quase lhe via a cauda entre as pernas, se ele fosse um cão, que não era. Se ele fosse um cão, estaríamos a esta hora com o meu passaporte e o cartão de crédito entre dentes a rosnar-nos, depois, num relâmpago, eu mordia-lhe seguramente a jugular e com 2 toques de dedos obrigava-o a um KO imediato... Por isso, ele foi-se embora!
29 Janeiro
Acordo 8h depois de adormecer. Medito. Não escrevo as páginas matinais. Tenho urgentemente que tomar banho, comprar pasta de dentes e fruta, tomar café. Saio para a rua sem cuecas onde conheço todas as mercearias, compro facturas (hummm... continuam deliciosas), vinho, leite, pasta de dentes, umas cuecas com estrelas.
A bateria da câmara já está a carregar. Vejo o email. Nada da mochila.
Vou ligar o computador à net da casa, há que ir buscar um colchão (perdi a minha autonomia com a perda da mochila), tenho que fazer a reclamação da bagagem online, acionar o seguro de viagem para saber o que posso comprar até ela chegar (se é que chega), ir buscar as cassetes (a ver se chegam da Bolívia), entrar no guarda-fatos da Nati para ter alguma roupa para estes dias, comprar protetor solar... (a coisa mais importante da mochila), sandálias, lentes de contacto (os óculos são um calor extremo na cara), creme hidratante, champô...
O meu novo mac já tem o dicionário post-reform, ou seja, escreve segundo o acordo ortográfico e retirou-me automaticamente o c de protector e abrasileirou shampoo (que eu sempre escrevi, no fundo, em inglês)... Nesta mescla de português e espanhol, a ver vamos como vou passar a escrever e a comunicar.
Mariense, mariês, sofrendo de mariazite aguda...?
- Yo creo que toda la gente debria dejar el país – disse eu ontem falando de como está Portugal. A mi me gustaria montar en sério una campaña promovendo la emigracion massiva, dejando Portugal en estado de sitio, sin produccion y sin gente...
- La Maria siempre armando quilombo!
E ri-me. E rimo-nos muito... a expressão é forte. Foi bom ouvir esta imagem que têm de mim aqui na Argentina!
-------
-------
Fim da tarde em San Telmo, caminhando pelas ruas ao sol. Uma cerveja na praça, um gelado de manga e chocolate amargo pelo caminho. Só o caminhar bronzeia. As pessoas são todas bonitas.
Ciao, Maria. Nos vemos mañana... é o Andrés, artesão de rua com quem estive a conversar "mañana nos vamos de rumbia".
- no, perdona, yo solo hago planes para los proximos 15 minutos
- pues para mañana no los hagas, nos vamos de rumbia...
rio-me. rio-me mais. não, eu já disse que não, não disse? Vou. Fui.
segunda-feira, 29 de março de 2010
A olhar o cierro de los siete colores, em Purmamarca, na Argentina, me sentei debaixo de uma árvore a gravar a minha voz e o que me rodeava.
Gostava de, às vezes, conseguir registar o meu verdadeiro sentir. Ficarei mais feliz se as formas que vou treinando para o partilhar forem certeiras aos sentires de quem me lê, vê, escuta, sente.
Ali, senti também a terra tremer-me debaixo dos pés!
- Apura-te, mamita!
e recordo ainda o cheiro da terra quente, que é tao diferente do da terra molhada!
E, por estas bandas, muitos cemitérios estao no cimo dos montes para que quem lá mora esteja mais perto do céu.
Gostava de, às vezes, conseguir registar o meu verdadeiro sentir. Ficarei mais feliz se as formas que vou treinando para o partilhar forem certeiras aos sentires de quem me lê, vê, escuta, sente.
Ali, senti também a terra tremer-me debaixo dos pés!
- Apura-te, mamita!
e recordo ainda o cheiro da terra quente, que é tao diferente do da terra molhada!
![]() |
| De viagem argentina - bolivia |
E, por estas bandas, muitos cemitérios estao no cimo dos montes para que quem lá mora esteja mais perto do céu.
| De viagem argentina - bolivia |
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Adeus Argentina
ou melhor,
- Bom dia Bolívia.
Amanha cruzo a pé a fronteira Argentina-Bolívia, entre La Quiaca e Villazón. É assim, dizem-me. Uma ponte que terei que cruzar a pé, mochilando a casa e a parte da vida que trago comigo.
Dois meses na Argentina já servem um tratado que nao estou a conseguir escrever, condensar, absorver. Andar sozinha acelera todos os processos. Viajar sem rumo faz palpitar certezas e acentua dúvidas. Ser mulher, torna tudo mais feminino... é dos meus olhos, claro! Faço paz com os homens. Olho as mulheres. Cruzo-me com pessoas (sem género!).
Das reflexoes mais recentes nasceram-me dois cadernos manuscritos em divagaçoes amorosas, políticas, sociológicas, históricas... enfim! Na última viagem (desde ontem às 14h30 até hoje às 17h30), fiz uma lista do que eu faria se fosse presidente do Governo dos Açores (eheheh). Atempadamente, iniciarei a campanha ;) Equipa procura-se!
Ao mesmo tempo desenho projectos para o futuro. Faço mandalas com aguarelas. Procuro incessantemente um caminho único. Um sentido maior. Tudo me parece possível, hoje. Mudar o mundo, uma organizaçao local com olhos no global, uma nova vivencia de ilha e de regiao, a minha rua (que nao tenho), a minha casa que sou apenas eu.
Na 2ª feira começo o trabalho na Performing Arts, Cochabamba, Bolívia. Por enquanto, na Argentina, todas as pessoas suspiram quando digo que vou para aquele país... (aquilo é muito desorganizado... dizem. Eu vou ver.)
Destes dois meses, uma certeza... cidades? Nao, obrigada! Cafés? Sim. Mate, terra a perder de vista, rios. A relatividade das distâncias... aqui estar perto é estar a 1000Km. Buenos Aires é cidade... o resto do país é a Argentina! Profunda. Aqui em Jujuy até se notam diferentes os traços e os olhares das pessoas na rua. Sao pessoas mais antigas. Mais bonitas (digo eu).
- Bom dia Bolívia.
Amanha cruzo a pé a fronteira Argentina-Bolívia, entre La Quiaca e Villazón. É assim, dizem-me. Uma ponte que terei que cruzar a pé, mochilando a casa e a parte da vida que trago comigo.
Dois meses na Argentina já servem um tratado que nao estou a conseguir escrever, condensar, absorver. Andar sozinha acelera todos os processos. Viajar sem rumo faz palpitar certezas e acentua dúvidas. Ser mulher, torna tudo mais feminino... é dos meus olhos, claro! Faço paz com os homens. Olho as mulheres. Cruzo-me com pessoas (sem género!).
Das reflexoes mais recentes nasceram-me dois cadernos manuscritos em divagaçoes amorosas, políticas, sociológicas, históricas... enfim! Na última viagem (desde ontem às 14h30 até hoje às 17h30), fiz uma lista do que eu faria se fosse presidente do Governo dos Açores (eheheh). Atempadamente, iniciarei a campanha ;) Equipa procura-se!
Ao mesmo tempo desenho projectos para o futuro. Faço mandalas com aguarelas. Procuro incessantemente um caminho único. Um sentido maior. Tudo me parece possível, hoje. Mudar o mundo, uma organizaçao local com olhos no global, uma nova vivencia de ilha e de regiao, a minha rua (que nao tenho), a minha casa que sou apenas eu.
Na 2ª feira começo o trabalho na Performing Arts, Cochabamba, Bolívia. Por enquanto, na Argentina, todas as pessoas suspiram quando digo que vou para aquele país... (aquilo é muito desorganizado... dizem. Eu vou ver.)
Destes dois meses, uma certeza... cidades? Nao, obrigada! Cafés? Sim. Mate, terra a perder de vista, rios. A relatividade das distâncias... aqui estar perto é estar a 1000Km. Buenos Aires é cidade... o resto do país é a Argentina! Profunda. Aqui em Jujuy até se notam diferentes os traços e os olhares das pessoas na rua. Sao pessoas mais antigas. Mais bonitas (digo eu).
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Karai, mulher e filho
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
indios sul americanos
Chego a um novo paraíso.
Fujo das cidades. Depois de ter estado, ontem, nas Cataratas do Iguazu (para as quais nao me sobram as palavras) hoje aterro em San Ignacio. Esta noite já estive nas ruínas Jesuítas. Um novo mundo se me apresenta. Os índios guaranís estao perto e vivem em 10 aldeias à volta de San Ignacio. Resistem. Sobrevivem à pressao do branco. À minha, à tua, à de quase meio mundo...
Aqui ao lado, saíndo da província de Misiones, na vizinha El Chaco, um genocídeo faz-se presente na vida desnutrida de milhoes de aborígenas. Essas imagens deste lado do mar vivem absolutamente escondidas e negadas pela classe política, pela sociedade em geral, pelo mundo. A mim, dizem que nao há nada para ver, lá. Eu nao quero ver. Quero denunciar!
(ler o artigo (em periodismo, notas y articulos) de Mempo Giardinelli aqui)
(fotografia documental aqui)
Fujo das cidades. Depois de ter estado, ontem, nas Cataratas do Iguazu (para as quais nao me sobram as palavras) hoje aterro em San Ignacio. Esta noite já estive nas ruínas Jesuítas. Um novo mundo se me apresenta. Os índios guaranís estao perto e vivem em 10 aldeias à volta de San Ignacio. Resistem. Sobrevivem à pressao do branco. À minha, à tua, à de quase meio mundo...
Aqui ao lado, saíndo da província de Misiones, na vizinha El Chaco, um genocídeo faz-se presente na vida desnutrida de milhoes de aborígenas. Essas imagens deste lado do mar vivem absolutamente escondidas e negadas pela classe política, pela sociedade em geral, pelo mundo. A mim, dizem que nao há nada para ver, lá. Eu nao quero ver. Quero denunciar!
(ler o artigo (em periodismo, notas y articulos) de Mempo Giardinelli aqui)
(fotografia documental aqui)
sábado, 20 de fevereiro de 2010
os putos
morenos e sujos
de olhos e cabelos negros
beleza em estado escondido
- un peso!
e um peso.
Sao como gatos
vivos.
- un peso, señora!
e uma vida a mais
- no, ahora no.
e uma vida a menos.
Os putos contam as vidas
em pesos
e pesam-me os pesos
na carteira
- vamo'! sienta te. Puedes?
Diz que sim.
brilha-lhe no rosto negro o olhar
chama-se puto
e nao tem outro nome.
como os gatos da rua
num bar de tango
em puerto del iguazu.
argentina.
profunda.
de olhos e cabelos negros
beleza em estado escondido
- un peso!
e um peso.
Sao como gatos
vivos.
- un peso, señora!
e uma vida a mais
- no, ahora no.
e uma vida a menos.
Os putos contam as vidas
em pesos
e pesam-me os pesos
na carteira
- vamo'! sienta te. Puedes?
Diz que sim.
brilha-lhe no rosto negro o olhar
chama-se puto
e nao tem outro nome.
como os gatos da rua
num bar de tango
em puerto del iguazu.
argentina.
profunda.
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Nocturna - tango e acrobacia aérea
Ontem fui ver "Nocturna" um espectáculo de acrobacia aérea e tango. Um circo no ar!!! Voei, voei...
Uma das frases que me ficou a ressoar no ouvido (e não sei mais onde...) foi:
"después de se conocer una mujer alada, como se puede querer a una mujer terrestre?" (autoria não identificada no programa do espectáculo)
http://www.circovaiven.com.ar/menu.html
Uma das frases que me ficou a ressoar no ouvido (e não sei mais onde...) foi:
"después de se conocer una mujer alada, como se puede querer a una mujer terrestre?" (autoria não identificada no programa do espectáculo)
http://www.circovaiven.com.ar/menu.html
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