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sábado, 2 de março de 2013

A revolução num minuto


Um dia,
em simultâneo,
como acontecia tantas vezes em que, no meio do silêncio, começavam a falar ao mesmo tempo e, sucessivamente, se cediam o passo no tempo e no espaço dos vazios,
disseram:
- Anda, vamos fazer a revolução! - Venga, hagamos la revolucion!

riram-se, então, com a sincronia das palavras.
depois sorriram.
continuaram a olhar-se nos olhos e no silêncio.
os corações batiam com tanta força que pareciam ecoar do ribombar de tambores ancestrais vindos de outros países, a muitas léguas dali.
sorriram novamente.
as lágrimas cheias de alegria acariciavam o olhar que nos olhava e não chegavam a saltar.
- Anda comigo.
- Contigo!... Y tu?
- Contigo.

Apelo da Luna ao 2M

dentro de poucos minutos fica disponível o apelo da Luna aqui.
dentro de algumas horas, não está ninguém em casa!




sexta-feira, 1 de março de 2013

texto de Paula Gil



Enrolo um cigarro e olho para a mesma folha em branco.
Não sei o que escrever, nem onde começar. Sei que não quero falar de política.
Não quero falar de política. Quero falar da dona Maria («bom dia minha filha!» — diz-me quando passo por ela na rua), que vai perder a casa por não conseguir pagar a renda com o novo aumento.
Não quero falar de política. Quero falar do Sr. Luís, que fechou esta semana a mercearia: «mais de 50 anos à frente deste balcão, ainda o meu pai geria a Florida» — diz, como se a loja tivesse personalidade — «e já eu ajudava depois das aulas». Os clientes diminuem, «já não dá para as despesas…» — diz de lágrima no canto do olho.
Não quero falar de política. Quero falar da Filipa, que está à minha frente na fila para pagar a Segurança Social, trabalhadora a recibos-verdes, que ganha 485 euros por mês e, depois de pagar os impostos, não consegue quase alimentar a Joana, a filha de um ano e meio que traz ao colo: «quanto é que ela já deve à troika, sabe?» — pergunta-me. Voltou para casa dos pais com o marido.
Não quero falar de política. Quero falar do António, que desistiu da universidade, porque não consegue pagar as propinas nem arranjar trabalho. Lembro-me de ser estudante e ter pago o curso a trabalhar… «A educação agora é só para quem pode» — diz entre dentes.
Não quero falar de política. Quero falar de quem entrega os filhos, por ser incapaz de os alimentar.
Não quero falar de política. Quero falar da dona Rosa, cuja reforma «mal me dá para os medicamentos» — queixa-se…
Não quero falar de política. Quero falar da minha mãe, que está desempregada e sem subsídio de desemprego e é «demasiado velha para o “mercado”». E tem 48 anos!
Não quero falar de política. Quero falar da Ana e do João, que dependem do apoio dos vizinhos: «ai! Se a Dona Lurdinhas não me convidasse para jantar, não sei o que faria»… A Ana trabalha, o João ficou desempregado, têm dois filhos.
Não quero falar de política. Quero falar daqueles e daquelas que revertem todo o seu ordenado para pagar uma dívida que não é nossa e que nos oprime.
Não quero falar de política. Quero falar das pessoas que dormem um pouco por todo o lado nas ruas de Lisboa, do Porto e que «aguentam».
Não quero falar de política. Quero falar daqueles e daquelas de quem ninguém fala, enquanto há força, enquanto há esperança.
Não quero falar de política. Quero que a política fale de nós, seja feita para nós e nos sirva. Quero que a política traga no seu coração o povo e que o povo seja quem mais ordene, dentro de ti, ó país.
Não quero falar de política. Quero falar de um sonho de futuro que nos roubam. Quero falar da esperança que ainda tenho.
Não quero falar de política, mas acredito que ela só pode ser feita por todos e todas nós, de cidadania em punho, em cada pessoa.
Não quero falar de política, mas tudo é político, e esquecer isso é esquecer que somos parte dela. Não quero falar de política, mas falei. Quero falar de ti, de mim, de nós e ter o teu ombro lado a lado comigo nas ruas neste dia 2 de Março.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Uruguai


foto retirada daqui

O Uruguay tem uma área territorial de 176 mil km2 (quase o dobro de Portugal) e apenas 3 milhões de habitantes (Montevideo, a cidade capital tem 1,6 milhões de habitantes). É um país bastante desertificado. A sua posse esteve muitas vezes a ser disputada entre Portugal e Espanha. Era habitado por índigenas Charruas, Guaranís y Boanes. As primeiras três invasões espanholas resultaram em "todos os espanhóis mortos à flechada..." ;-) Depois, anos mais tarde, o resultado foi o extermínio completo dos povos indígenas...
Quase não há construções de pedra.
O Uruguay é um dos países onde o nível de reciclagem é maior. Este dado deve-se a que a reciclagem (clasificacion) é feita muitas vezes pelas "castas" mais pobres que herdam a sua actividade "profissional" de pais para filhos, desde há muitos anos. Os cascos dos cavalos ecoam todos os dias pelas ruas da cidade...
A agricultura é quase inexistente, hoje em dia, e serve apenas ao consumo interno. Em 2005 as cabeças de vaca no Uruguay eram 12 milhões... são mais que muitas! Grande parte da economia ganadera está nas mãos de empresas brasileiras. A pesca é quase toda artesanal e (sem dramas) vendida directamente aos consumidores, mas a actividade não tem grande (ou nenhuma) importância na economia do país.
Galeano, Onetti, Quiroga, Benedetti são alguns dos nomes da literatura uruguaia que vale a pena conhecer. Há uma grande produção de livros (bem escritos e ilustrados) para a infância. As livrarias são uma doce tentação... todos os dias!
No séc. XX, como aconteceu em quase todos (senão todos) os países da América Latina, a ditadura militar (impulsionada politicamente pelo norte da América) foi responsável pelo extermínio de grande parte da cultura e da educação. O Uruguay chegou a ter 5mil presos políticos nesse período que decorreu entre 1973 e 1985. Muitos regressaram então ao país, outros não. Encontro, nas ruas, o vazio de toda uma geração inexistente. A população é maioritariamente idosa (mais de 60 anos) e a juventude activa tem no máximo 25, 30 anos... Há todo um país para recomeçar... 

domingo, 23 de janeiro de 2011

quase 6 milhões de pessoas

é muita gente a dizer que isto de votar num presidente da república não lhe diz nada... Sem dúvida que, a partir de hoje, eu defendo que se adopte em Portugal o voto obrigatório!

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

política e silêncio

Confesso que gostaria de ter as coisas mais claras em mim.
Há um bicho político que sempre ferve e que reclama permanente justiça, igualdade, respeito. Que fala, fala, fala sem parar. Que tem sempre muito e tudo por dizer. Que pensa, actua e às vezes grita!
Há um bicho poesia, amor, calma... muita calma. Calado. Atento. À escuta e à espreita. Às vezes pensa, outras demite-se de pensar.
Eu sou esta dualidade ou é a dualidade que habita em mim?
Nem sempre há paz nesta convivência dos bichos e na partilha da casa.
O meu corpo-casa às vezes não tem espaço para essas duas mulheres.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Belén por um canudo

Ir de Cusco a Iquitos para participar no Proyecto Belén pode vir a ser uma tremenda impossibilidade, este ano... Vamos tentar a boleia, mas iquitos fica no meio do rio Amazonas e o porto de barcos mais próximo fica a 5 dias de viagem de barco. nao creio que consigamos boleia para uma viagem tao longa... As descalças precisavam de mais do que 3 euros para chegar lá... 
Estou feliz por já ter encontrado este projecto no caminho, estou feliz porque encontrei mais uma ideia super fácil de replicar (nos Açores, ou em qualquer outro lugar do mundo), estou feliz porque a Catarina Martins vai falar dele (e de outras coisas lindas) incluindo-o como uma bela acçao de activismo cultural... estou feliz porque a vida que escolhi para mim, as pessoas que escolho para me rodearem, as opçoes que tomo em cada dia... vao sendo, continuam a ser, um privilegiado lugar de pertença!

segunda-feira, 19 de julho de 2010

nao penso, nao digo

De coisas más está o mundo cheio! Se perpetuamos a nossa palavra sobre o feio, o incompetente, o desrespeito, a falsidade, a irresponsabilidade, o desamor, a injustiça, a falta de liberdade, entao criaremos solos ferteis para estas coisas crescerem. "Nao quero, nao quero nao!" Hoje nao penso e nao digo "que todas as perguntas merecem resposta". Desejo antes que todas as pessoas possam, à noite, dormir tranquilas!

quinta-feira, 15 de julho de 2010

respostas do governo

Ha 4 dias enviei uma pergunta simples a um membro do governo que sempre responde rapidamente a todos os emails, comentarios e até provocaçoes...
A minha pergunta era: posso enviar um projecto para pedido de apoio?
A resposta é até agora inexistente. Que é como quem diz que, quando nao se quer dizer que nao, nao se responde.
E o tempo passa.

fotos, saudades e identidades. Açores

Vi fotos dos Açores e deu-me uma saudade...
Que estranho... "Mas eu nao nasci ali!"
;)
é que eu nao pertenço ao lugar onde nasci. Pertenço aos lugares onde sou feliz. Hoje aqui, amanha acola, depois quem sabe?
Nao pertenço apenas aos lugares. Pertenço aos lugares que me pertencem. E, no fundo, nao possuo nada e nada me possui.
Uns dias, antes de vir, recebi um certificado de açorianeidade, legitimamente assinado por um juri dificil de convencer. Ha uns dias, num jornal (açoriano?), apelidaram-me açoriana ... quer dizer, ainda nao disseram que eu sou açoriana, mas disseram que era açoriana a minha presença na Argentina.
Humm, sabe bem... Nao tem importancia nenhuma. Ou tem toda a importancia... Até quando tenho que gritar que eu sou do lugar onde vivo?
Ou seja, o que me agrada que se reconheça é a questao de uma certa identidade que me acompanha, que transporto, que levo na viagem! Porque por ca, toda a gente o reconhece!

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Documentários nos Açores

Ontem, escutando de um escritor argentino "el silencio es cómplice de la impunidad" apeteceu-me ir a voar...
Há muitos documentários por fazer, nos Açores. Em Portugal também. No mundo, claro que sim. Há muitas coisas que continuam a ser urgentes denunciar, há muitas vozes que continuam a precisar de ser megafoneadas, há muitas verdades que nao moram ainda no caixao do perdao nem no do esquecimento.
Ser uma artista comprometida é continuar a desenhar projectos que ampliem vozes, que contem verdades, que construam novos caminhos de luta. Eu quero ser assim! Onde quer que esteja!

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Construir a paz, acordar cada dia para ver o povo humano como um só povo, de gente igual, que vive e trabalha por um mundo mais justo, igualitário, solidário e livre é um direito e um dever que sinto ter para cumprir. Por isso, e porque me preocupa hoje a grave violaçao dos direitos humanos que se está a fazer sentir em Porto Rico - última colónia no mundo-, divulgo e partilho os textos que se seguem, esperando que a vossa publicaçao/divulgaçao possa, numa manifestaçao solidária internacional, manifestar a atençao que cada um e cada uma de nós, em qualquer parte do planeta, dedica àquilo que nos pode engrandecer enquanto seres humanos livres e responsáveis.

Porto Rico, infelizmente

Amanheço com uma triste notícia. Procuro chegar lá onde, sendo estrangeira (e europeia...) espero ser mais intocável e ajudar a ampliar as vozes de quem está a ser oprimido na sua liberdade, no sonho, na luta por um mundo mais justo e solidário. Puerto Rico precisa da atençao internacional.
...


Eduardo Galeano: Palabras a las autoridades puertorriqueñas
Mis queridos hermanos puertorriqueños:
Los pueblos que no escuchan los reclamos de sus estudiantes corren el peligro de quedarse sin futuro. La ciudadanía estudiantil es la que custodia el fuego sagrado de la esperanza de los pueblos, y la guardan con su arrojo, con su temeridad, con su inviolable capacidad de soñar. Hay que escuchar a los estudiantes, aguzar el oído, mirarlos a los ojos y leer lo que nos dicen con sus actos, pero sobre todo con el deseo encendido de su mirada. Cuando el resto claudica y se recoge en la madriguera cómoda de la conveniencia, los estudiantes se alzan. Cuando el resto piensa hoy no, mañana quizás, los estudiantes dicen: ahora. Cuando el resto se acostumbra a lo que hay, los estudiantes nos muestran el sendero luminoso del porvenir. En momentos como éste, cuando esta Latinoamérica nuestra sufre, con el resto del mundo, las consecuencias nefastas del desplome de la avaricia del capitalismo salvaje, hoy más que nunca, no nos podemos dar el lujo de darle la espalda a nuestros estudiantes. Hay una comunidad internacional que observa con interés el desarrollo de este movimiento. Esperamos, de las autoridades universitarias y gubernamentales, el mayor respeto. Desistan del uso de la fuerza. Siéntense a negociar con ellos en paz, de igual a igual. Escúchenlos. Sean generosos. No están dentro del recinto, atrincherados en el campus, por puro capricho. Están allí porque ellos son el corazón, la llama viva de la universidad.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Absolutamente contra caças!

Acabo de ler que se está a ponderar a hipótese de criar um campo de treinos de caças (estadunidenses, entenda-se) na Base das Lages, nos Açores.
Os últimos argumentos que li sao de pessoas preocupadas com as espécies marinhas e os impactos ambientais na Regiao... Mas está tudo maluco ou sou eu? Já ninguém se preocupa com o impacto mundial dos caças, em si? Com o impacto da existencia de exércitos ou de guerras ou de militares?!!!
Eu continuo sem perceber é porque é que as cabecinhas pensadoras dos governos do mundo continuam a achar bem que caças sequer existam! Quanto mais terem que ser treinados!!! Ora e se gastassemos dinheiro e tempo noutras coisas???
Só a título de exemplo, informo que a Costa Rica é um país sem exército e o seu governo aprovou recentemente que todo o dinheiro que seria gasto na manutençao de uma força militar vai (está já a) ser gasto em protecçao ambiental, criaçao e manutençao de parques e zonas protegidas, incentivo ao turismo ecológico e sustentável, e por aí... Nao conto mais porque ainda podem pensar que estou a delirar...

terça-feira, 4 de maio de 2010

candidaturas...

Ainda tenho esperança... Ainda acredito que o mundo pode mesmo ser um lugar melhor. Ainda acredito em devolver o poder às pequenas comunidades, aos bairros, às freguesias... Ainda acredito que as utopias podem tornar-se realidades! Ainda acredito que há muitas pessoas que pensam comigo!
Aqui fica um exemplo da diferença entre um candidato comum e um candidato que vem do meio artístico e cultural, na Argentina. Um realizador de excepçao... e ainda por cima um homem extraordinário...
Quem dera ele tivesse ganho a presidência! Onde estao os Pinos Solanas açorianos? E os Pinos Solanas portugueses?... Temos medo que nos atirem 7 balas às pernas... Temos medo de ficar sem voz quando formos falar. Temos medo de nao ter razao, porque nao temos dinheiro, nem heranças, nem certezas, nem auto-estima. Temos um complexo de inferioridade perpetuado há... quantos anos? Somos pobres. Somos igualmente pobres, como os países pobres da América Latina (ou mais, depende do que estamos a falar!) mas... que temos nós que nos impede de fazer a revoluçao? Ou que nos falta?

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Cimeira dos povos

Pois é. Vou estar na Conferência Mundial dos Povos sobre as Alteraçoes Climáticas e os Direitos da Mae Terra. Ou seja, a Bolívia está a organizar esta cimeira mundial porque o acordo de cavalheiros de Copenhaga deixou tanto e tanto a desejar... Porque foi um verdadeiro fracasso a Cimeira Mundial realizada em Dezembro último no velho (e tonto?) continente.
"Este vai ser um fórum alternativo" - disse Evo Morales aquando da convocatória mundial.
Para além de eu estar a preparar isoladamente uma palhaça acçao de rua relativa ao assunto (porque está muito bem que se organize este encontro mas está muito mal a forma como a própria Bolívia às vezes trata a Mae Terra ou Pachamama... ), já me inscrevi para estar presente na Conferência Mundial onde se esperam milhares de pessoas de todo o mundo, entre personalidades e organizaçoes sociais e políticas, governamentais e económicas, algumas com responsabilidades muito grandes no que se refere por exemplo às emissoes de CO2, às generalizadas alteraçoes climáticas ou ao aquecimento global. Espera-se a presença de Al Gore (hoje voltei a rever "An inconvenient truth" mas já está confirmada a presença de Eduardo Galeano... A mim, uma das coisas que me atrai é que a Bolívia vai apresentar um projecto de "Declaración Universal de los Derechos de la Madre Tierra". Vai-me dar muito prazer levantar o braço para a aprovar, por mais que, nos dias que corram, eu acredite cada vez menos na democracia!
Mais de 240 organizaçoes internacionais vao estar presentes. Alguns movimentos de gente atè aqui sem voz vao poder cantar suas lutas e crenças... Uma curiosidade: de Portugal parece que nao chega ninguém... pobre país pobre!

Para saber mais... ou para marcar presença, regista-te aqui e vem até cá!

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Dia da Criança

Hoje é o dia da criança na Bolívia. Declarado pela OEA (Organización de Estados Americanos) e pela Unicef em 1952 como o dia para celebrar a infância mas sobretudo para recordar os direitos das crianças, este dia é comemorado hoje nao só com festejos "folclóricos" com palhaços de caras pintadas a oferecer juguetes e espadas feitas de baloes, mas também com números:
  • mais de 1000 crianças vivem nas prisoes da Bolívia
  • centenas de milhares de crianças vêem-se obrigadas a renunciar à educaçao e protecçao de um lar para enfrentarem a vida trabalhando (muitas vezes em condiçoes humanas deploráveis)
  • nao há dados oficiais sobre os maus tratos a crianças na Bolívia

O presidente do Estado Plurinacional Boliviano, Evo Morales, escreveu hoje às crianças do país: "(...) Deseamos que sus sueños, sus ansias de justicia, de igualdad y de solidariedad nos contagien a los mayores ayudandonos a construir un mundo mejor."

Pois sim, coraçao... O que me diexa céptica é pensar que esta Declaraçao tem mais de 50 anos e os números continuam a aumentar... e nao sao os números bonitos... Releio a Declaraçao dos Direitos da Criança e fico confundida. O Estado só tem deveres em relaçao à Educaçao e ao acesso à mesma. Os municípios só têm deveres no que se refere à criaçao de zonas de lazer, cultura e desporto. Vai daí que... Nao quero pensar mais nisto!

foto retirada de: www.elespectador.com

(para pensar mais... ler: http://www.opinion.com.bo/12/04/2010/los-ninos-y-sus-derechos/)

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Quando escolhi este continente, quando, depois, comecei esta viagem, sabia que o movimento social era o que me trazia a atravessar todo um gigantesco oceano, onde para trás ficavam todas as certezas.
Hoje confirma-se que, aqui, o que há a aprender é precisamente essa forma como, longe de partidos, de política ou de organizaçoes governamentais, as pessoas trabalham juntas para construir outro mundo. Mas estas coisas, como eu desconfiava, nao se ensinam, nao se aprendem. Praticam-se. Entranham-se na maneira de ser e estar. Sao cultura. Sao transformaçao. Sao visao de futuro. E isso, ou se tem ou nao se tem!

quarta-feira, 31 de março de 2010

Eleiçoes na Bolívia

A comunidade católica na Bolívia nao está muito contente com o Evo. As eleiçoes estao marcadas para o próximo domingo, que é dia de Páscoa. Em dias de eleiçoes, algumas regras se impoem para eleitores/as neste país. Nao se pode beber (há que estar sóbrio e consciente para ir votar), nao há circulaçao de transportes públicos (para evitar atentados), nao há espectáculos, os cafés, tascas e restaurantes que forem encontrados a vender bebidas alcoolicas pagam uma multa bem gorda.

Votar é obrigatório. Quem nao exercer esse direito e dever tem que justificar muito bem e, para além da multa de 150bolivanos, há uma série de penalizaçoes que passam pela perda de salário, à impossibilidade de trabalhar em cargos públicos, ou ver negada a obtençao de visto para ir ao estrangeiro.

Há partidos e candidaturas às dezenas e centenas. Um regalo de ver. Nao necessariamente as manifestaçoes de campanha, as caravanas, os concertos e festas das candidaturas, os discursos, os cartazes, t-shirts, caixas de fósforos oferecidos nas ruas (iguais em todo o lado) mas os debates que se pomovem, o nível do que se discute, a diferenciaçao nas propostas apresentadas. Já tenho a voz do Evo gravada... Ele anda sempre por perto. Dada a sua popularidade, o "seu" partido corre sérios riscos de, nestas eleiçoes, vencer em todos os distritos, províncias, alcaldias e governos regionais... Assim, há, em algumas franjas, o temor que a Bolívia se torne numa temível ditadura de esquerda. Ao que parece muito dinheiro da coca está também a ser aplicado nesta campanha. Mas entre os rumores e a avaliaçao dos factos... vai uma enorme diferença. Há dias, encontrei-me com um pequeno livrinho das 100 acçoes do Evo, entre 2006 e 2008. E digam o que disserem... o homem faz obra! E faz obra bem feita!

Mas a obrigatoriedade de haver 50% de participaçao de mulheres nas listas que se apresentam nao está a ser cumprida. Ao que parece, apenas estao em 20% e um movimento feminista de La Paz ponderava, ontem, impugnar as eleiçoes até que se cumpra a lei. Vamos ver... se as mulheres conseguem essa reevindicaçao e se o Evo é um grande homem, afinal. Para mim, homem que é grande é feminista! E, para mim, ser feminista, é ser contra o machismo.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Socialismo, social-ismo vivo, socialismo cultural

aceito contribuiçoes, opinioes, provocaçoes sobre o tema!