quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

entro novamente na tua casa
das mãos solto um perfume
de pinho e maçãs verdes
trinco uma tua, madura
e deito-a na tua cama
que nunca toquei

pouso uma fogueira
na pedra do teu chão

tu não estás
adormeço no teu colo.

quando voltares,
eu já não estarei na tua casa
nem no teu jardim.
serei pássaro nessa janela
serei a casa
de madeira com sabor a pinho
serei o jardim.

Buenos Aires, helado e...

devia ser eleito património da humanidade... o gelado argentino. artesanal. delicioso... fresco. de sonho! hummm... e trazem-no a casa... delivery chama-se. Para tudo. vídeos, gelados, comida, compras de supermercado, farmácia, biscoitos e pão, bebida (principalmente alcoolicas, pois há uma lei que proibe o consumo de bebidas alcoolicas na rua depois das 23h)... ainda não tinha contado, pois não? nem dos 30 graus que vão estando diariamente com sol ou com chuva... hummm. sabe bem transpirar! nem da bicicleta com que vou andar amanhã à noite, pela cidade. hummm... o vento é de Aveiro ;) ehehe. Nem tinha ainda falado dos filmes que tenho visto? e dos livros que ando a ler? e dos quilómetros que faço a pé? da senhora que me costurou o vestidinho descosido, do senhor que fala sozinho, da antipática da padaria, da cidade, das praças, dos parques, da relva, dos cães... do museu nacional de belas artes? do beijo do Rodin... ai... e do artesanato contemporâneo? e das pombas que me pousam na mesa e roubam os amendoins obrigando-me a beber a cerveja sem eles? e do que me rio sozinha? e de quantas pessoas me perguntam de onde sou? e a quantidade de gente que desconhece que há ilhas NO MEIO DO OCEANO ATLÂNTICO, SIMMMMM! E das carruagens de metro antigas, de madeira? e de uma casa descalça, e outra e mais outra... eu já tinha falado? Sim, estou de férias. No sábado parto para o Uruguai. Vou aportar nos Açores. Eheh. de Colonia de Sacramiento, a Montevideo e Maldonado. e... o mar, o nosso e meu mar... atlântico ainda, aí estará cuspindo para fora da boca! Tenho saudades do mar. Sim.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

correcção - Teatro Comunitário

Enganei-me (que é o mesmo que dizer, a editora Maria errou!).
O Teatro Comunitário nasceu na Argentina em 1983, (e não em 1976, como eu tinha referido num post de ontem).
Está feita a correcção, que já me endoutrinei sobre o assunto... ehehe
. O grupo responsável por esse achado chama-se Catalinas Sur e o seu director é o uruguaio Adhemar Bianchi.

Caminito - Conventillo de los artistas

Carlos e Martin (Austríaco, de visita) tocam juntos de improviso. Momento raro, acreditem! Quizás... único. Como todos os momentos, aliás!

Carlos Stagnaro - bandoneón

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

fotos minhas

continuo a actualizar, de vez em quando há fotos novas...
aqui

La boca - um bairro e um porto. Caminito

Podia sonhar Santa Clara ou a Calheta... em Ponta Delgada. Mas ainda não!

É La Boca, em Buenos Aires. A boca aberta para o rio.
Ali, foi onde nasceu em 1976 o Teatro Comunitário. Ali é onde fica o estádio de futebol do Boca Juniors (e ao que parece não é esquecível assistir a um jogo de futebol ali...). Ali, em tempos, foi içada uma bandeira genovesa e o bairro proclamado república independente.
Ali, o porto recebeu milhões de imigrantes europeus no início do século passado.
Ali, dança-se tango em ruelas estreitas. Sem saltos altos, de meias de rede rotas pelos anos e a usagem...
Ali, no Castillo (pátio) dos Artistas passei hoje uma tarde maravilhosa a ouvir o senhor Carlos tocar bandoneon. Apanhei-o surpreendido pela chegada de uma personagem (como ele próprio lhe chamou) austríaca que veio cumprir uma antiga promessa: a de que voltaria e lhe traria um colete da sua terra. Entrega feita. Com testemunhas. Depois, tocaram juntos, bandoneon porteño e acordeão austríaco. Para mim, tocaram um fado de Lisboa. Todas uma tarde que foi um grande bom momento.


segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Teatro Comunitário

Ando a ler... continuo a sonhar... estou a criar... um método, uma pedagogia, uma escola des-sapatada...
O master em criatividade continua...
Aqui, abaixo da linha do Ecuador, encontro inspirações. Novo ar. Estudar faz mesmo bem à saúde, gente! É como o Teatro... e a Arte, em geral... eu não dizia?!

Por exemplo, leio sobre Teatro Comunitário...

"No hay casting ni figuras principales. El Teatro de Vecinos se hace con quienes acuden a las convocatorias de animadores sociales espontáneos. Los grupos nacen y ensayan en las plazas o en la “plaza techada” de algún galpón. Primero se escuchan y escuchan el entorno. Después se produce. Se canta, se escribe, se baila, se juega, se mancomuna el trabajo y se continúa escuchando al que pasa, al que llega, al que reacciona. Son voces corales con pertenencia a algún territorio: barrio, pueblo, pequeña ciudad. El territorio contiene historia común y vivencias diferentes, que lejos de confrontar posiciones, facilita las múltiples miradas por considerar. El territorio garantiza la diversidad de miradas, de edades, de condiciones físicas y emocionales que parirán frutos propios, ninguno igual al de otros grupos y por ello, tan asombrosos y vitales. El territorio compartido ofrece –además- una clave de persistencia: ofrece cercanías; a todos les queda a mano el ensayo, el encuentro semanal, la asistencia regular hasta que madura la obra, se la representa y continúa creciendo. Las obras hablan de los otros, pero siempre, de ellos mismos. La autoindagación y la autocrítica afloran ineludiblemente en las etapas previas, y por eso, en escena, la autocrítica aparece procesada grupalmente, como una voz que arrastra el consenso de todos. Una voz con alcance artístico para que conmueva, y no sólo entretenga. El teatro comunitario es narrativo, musical y sencillo. Fruto sabroso de comunicación cívica, cultivado con relevante esfuerzo y desinhibición de las marcas dejadas por la educación elitista del arte. Pura imaginación y aprovechamiento de la diversidad natural y cultural, para concretar lazos de esperanza social que repercuten más allá de las actuaciones, es decir cuando la vida cotidiana del barrio, del pueblo, de la pequeña ciudad que comparten los encuentra remozados en sus prácticas de convivencia." (escrito por María Azucena Villoldo)

Folclore Argentino, não é tango!

Ontem estive toda a noite a dançar folclore argentino. Aprendi um zapateio, (lembrei-me da sapateia e fartei-.e de a cantar... só por causa do nome, mas o zapateio é mesmo sapateado), dancei em ritmo ternário (como tantas das tradicionais portuguesas ou europeias), enfim, ri-me muito enquanto bailava, agarrei a saia, 1, 2, 3 , 1, 2, 3... rodar, troca o par, volta inteira, agora meia volta, giro, sapateio (só para os homens... as mulheres fazem a... hummm como é que se chama? Não me lembro mas sei fazer... olé se sei... depois volta inteira outra vez e giro final. E palmas 1,2, 1,2 quase como no flamenco... ah pois é, e aí toda a gente participa, público, quem baila, enfim... Confesso que o folclore é bem mais simples do que o tango... e mais alegre, é festa! pois então... :-)
Aprendi a dançar uma chacarera e um zamba. Ehehe, depois, no final da aula, um grupo começou a tocar ao vivo! Lindo, vai daí... baile!!! 2 guitarras cantando e um bombo! Os dois rapazes são filhos de uma família de músicos tradicionais muito conceituados na Argentina, de Santiago del Esteiro. Lindo, lindo, gente tão nova a manter vivíssima a música tradicional, popular, na cidade capital ... é que aqui, na Argentina, música tradicional é também sinónimo de canto de intervenção... a ver se dou um exemplo, a Mercedes Sosa (para além de tudo o mais) é um ícone do Folklore Argentino... entende-se? As diferenças? - eu bem digo que se poderia dançar o fado ou, quem sabe, Zé Mário Branco ou Zeca Afonso... mas porque não???
- tou a brincar, tou a brincar... - mas que me diverti, diverti. Depois uma miúda de 20 anos, cantautora, voz e guitarra, apenas... pronto. Acredito que a Sofia Viola ainda vai ser grande, um dia. E hoje, inscrição em taller de acrobacia aérea... e tarde a ensaiar a palhaça... ai... ui... e estudos sobre Teatro Comunitário e a História da Argentina. E agora, saio correndo a ver um espectáculo sem palavras... a la gorra. Será que estou de férias?

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Hino à vida

se eu fosse mulher de hinos
e cantasse ou contasse um hino
eu hoje diria à vida
- estou grávida de ti!

Pablo y Natali

verdadeiros amigos são os que encontramos (sem acaso) no caminho e nos oferecem cama, casa, mesa, carinho, cumplicidade... a lua cheia, a chuva, risos, gelado...
Hoje prometi algo convosco dentro, Pablo y Natalí. Si consigo la beca, ya sabéis... Azores son un puerto de llegada para ustedes.
Gracías por acojer me hermanos!

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Bolsas de Criação Artística - Açores

Se a DRAC aprovar a minha candidatura a bolsa de criação artística, na área de Dramaturgia... em 2011 os Açores poderão assistir à estreia de:

BALEEIRAS - uma odisseia contemporânea

de Maria Simões
a partir de Dias de Melo e Homero


olé!
que nunca seja por falta de candidaturas completas, entregues perfeitamente dentro do prazo e que nos levam horas e dias de trabalho já criativo...

Terrorismo

ontem aprendi uma frase de um palestino professor de mestrado em Política Internacional numa universidade de Paris. Diz ele, sobre terrorismo e a ausência de definições à escala da semântica mundial:

one man terrorist,
is one freedom fighter man

dito por outras palavras...
o terrorista para um é um lutador pela liberdade para outro.

Para mim, é tudo uma questão de perspectiva e de ponto de vista. Façamos o exercício. Procuremos as definições...

Irlanda em Buenos Aires

Hoje e amanhã... no Luna Park *, em Buenos Aires...

The Cranberries
e eu não vou?

* (o nome faz-me lembrar o Luna Parque, lisboeta... contado magistralmente pelo mestre Mário Henrique Leiria e que gosto tanto de ler...)

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Tango

O tango é porteño... o que quer dizer que é de Buenos Aires. (portenho refere-se ao importante passado histórico, comercial e económico desta cidade de porto...). Como o fado é... de Lisboa?
Mas o tango, para além de se tocar e cantar, dança-se (como eu sempre defendi que se deveria dançar fado...). E é uma dança machista. Sim, é machista, por princípio, tradicionalmente.
Os homens passam a vida a recordar-mo (ehehe! Já se sabe, tenho tendência a não me deixar conduzir...) mas eu consigo, sem dúvida que consigo, ser conduzida. Acreditem!
O papel que cabe às mulheres, no tango, é o de simplesmente serem belas, femininas (seja lá isso o estereotipo que for), e deixarem-se levar. No fundo, no tango os homens crêem que dançam para as mulheres suas pares... e fazem-nas (nos) dançar. Quando temos a sorte de estar perante um verdadeiro bailarino de tango... dançamos divinamente. Acreditem! Basta deixarmo-nos levar! E saber usar todas as oportunidades que tivermos para improvisar e surpreender. Como um jogo. Pura sedução. Uma brincadeira.

Milonga é o local onde se dança tango. No fundo, a pista de dança. Por aqui, na catedral, há todos os dias aulas (que estão cheias), seguidas de milongas! É um sítio brutal. Um armazém antigo, cheio de cheiro de história e cultura, com espaço para comer (restaurante vegetariano onde tudo é delicioso e barato), bar, mesas, cadeiras, sofás, um espaço andaimado para concertos ou música ao vivo... e milonga! Eu, por acá ainda estou a aprender apenas os passos das mulheres... Ser homem, nestes momentos, é para mim muito difícil (ehehe). Daí que, guapos y guapas azoric@s de mi corazón, cuando llegue aí quiero tener con quien bailar, hoyé!

Mas, mais do que isso, o tango é uma dança de um corpo só. Em equilíbrio e desequilíbrio constante. Como a vida, aliás. Não importa se dança um homem e uma mulher, ou se dançam dois homens ou duas mulheres.
Importa que é mesmo lindo dançá-lo. Que a liberdade passa efectivamente por aí. Que, mais do que simples folclore, as danças de um povo reflectem a sua forma de ser, de estar. Importa que duas pessoas, no fundo, se estão a respeitar quando o dançam, se estão a entender, a comunicar e que ambas podem, se assim o quiserem, simplesmente ouvir a música e voar com e sem os pés no chão. É primo de liberdade, isto, não é? Dançar vale mesmo a pena! Encostar as cabeças, também. E no tango, essa é a posição base.


dormi mal esta noite,
que, como diz um amigo,
outro,
Morfeu abandonou-me...

acordo com "Um sonho impossível" na cabeça
e procuro depois "Bebo y Cigala"
para cantar de quem tenho saudades...

estou a terminar a candidatura às bolsas de criação artística da DRAC (Açores)...

porque raio teimo em continuar a acreditar que "água mole em pedra dura..."?

sonho impossível - Chico Buarque

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

eu queria hoje colocar aqui uma carta
muito, muito longa...
mas nao a escrevi,
ainda.
porque
eu queria saber escrever.
eu queria poder contar.
e eu queria nao precisar de palavras
para ninguem
para nada
mas prendem-me as palavras
e as saboreio
e me invadem
as ideias
o pensamento
livre
procuro nao pensar.

passo muito tempo nos cafés de Buenos Aires, onde afinal saberia viver. Nos cafés... e em Buenos Aires.
escrevo, rabisco, desenho
páro
olho
bebo cafés, cervejas e vinho, fumo
(eu podia ser boémia, afinal!)
danço tango com muitos pares
leio, caminho,
passo tardes na Plaza Almagro
e tudo isto é muito bom!

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

esta miúda...
vai novamente tangar hoje!
é assim tipo uma religião, pois então...

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

maria elena walsh

faz hoje uns maravilhosos 80 anos...

http://es.wikipedia.org/wiki/Mar%C3%ADa_Elena_Walsh#Literatura_infantil
http://www.eldiario24.com/nota.php?id=74502

subsídios para a cultura nos Açores IV

Chegou hoje, finalmente, quase um mês depois de eu a ter pedido, a acta do júri DRAC, ou melhor, da comissao de apreciaçao, que considerou a minha candidatura "nao enquadravel na estrategia de desenvolvimento cultural da DRAC". Apenas em resumo, posso adiantar que nem o meu nome nem o projecto que candidatei em 31 de Ago de 2009 constam da acta do júri, mas apenas de uma ficha de candidatura onde, sem quaisquer informaçoes sobre critérios de avaliaçao, sou classificada ora como reduzida (2), ora mediana (2) ora elevada (1)... consoante os parâmetros.
Alegra-me saber que, pelo menos em termos de "capacidade de realizaçao a inferir do currículo de actividades ja realizadas", me consideram elevada!

Uau.
Muita água vai correr debaixo da ponte, ainda!
Até porque com ou sem apoio do Governo dos Açores, o projecto vai realizar-se. Pode nao ser exactamente como previa, como sonhei, ou como a regiao mereceria que eu devolvesse em trabalho o investimento publico feito. Mas o projecto vai acontecer e isso é porque a minha "capacidade de gestao, determinada, designadamente, pela adequaçao da proposta de orçamento às actividades a realizar e pela razoabilidade de custos", ao contrário do que suas excias defendem, é elevada, também!