terça-feira, 7 de abril de 2015

viaja...

"Viaja, mas leva contigo toda a música que puderes (...) Leva a música da árvore, da romã, a música da ilha do sul, a música da primeira ocarina da manhã. Viaja e vai ampliando esse búzio com que escutas o mundo (...)"
Daniel Gonçalves In Poesia Reanimada.

terça-feira, 24 de março de 2015

uma picarota em Palmela

Mais uma entrevista filmada para continuar a engrandecer o coração. Desta vez, fui atrás de uma picarota, junto ao castelo de Palmela.
Continuo a sentir-me imensamente privilegiada pela generosidade destas mulheres que simplesmente pelo facto de me abrirem a porta, deixam que o mundo já se vá pondo um bocadinho melhor!



Bom dia!

segunda-feira, 23 de março de 2015

de Herberto Helder

Não sei como dizer-te que minha voz te procura
e a atenção começa a florir, quando sucede a noite
esplêndida e vasta.
Não sei o que dizer, quando longamente teus pulsos
se enchem de um brilho precioso
e estremeces como um pensamento chegado. Quando,
iniciado o campo, o centeio imaturo ondula tocado
pelo pressentir de um tempo distante,
e na terra crescida os homens entoam a vindima
— eu não sei como dizer-te que cem ideias,
dentro de mim, te procuram.
 
Quando as folhas da melancolia arrefecem com astros
ao lado do espaço
e o coração é uma semente inventada
em seu escuro fundo e em seu turbilhão de um dia,
tu arrebatas os caminhos da minha solidão
como se toda a casa ardesse pousada na noite.
— E então não sei o que dizer
junto à taça de pedra do teu tão jovem silêncio.
Quando as crianças acordam nas luas espantadas
que às vezes se despenham no meio do tempo
— não sei como dizer-te que a pureza,
dentro de mim, te procura.
 
Durante a primavera inteira aprendo
os trevos, a água sobrenatural, o leve e abstracto
correr do espaço —
e penso que vou dizer algo cheio de razão,
mas quando a sombra cai da curva sôfrega
dos meus lábios, sinto que me faltam
um girassol, uma pedra, uma ave — qualquer
coisa extraordinária.
Porque não sei como dizer-te sem milagres
que dentro de mim é o sol, o fruto,
a criança, a água, o deus, o leite, a mãe,
o amor,
 
que te procuram.
(excerto do poema «Tríptico», publicado em A Colher na Boca, 1961)

ganhos e perdas

Caminhando pela cidade, dirijo-me à paragem do autocarro, enquanto decido:
- Vou deixar de me queixar pelo facto de não ter carro... vou deixar de ter a boleia como primeira alternativa... vou aproveitar o que a vida de transporte público me dá.

e pensava coisas novas e tinha ideias plim...
sento-me à espera. 5, 10, 15 minutos...
e o autocarro não vem.

resultado?
aquele que eu ia apanhar não passa naquela paragem.
passadas 2h chego a casa. os 10 km que separam a minha casa da cidade saem muito caros, assim.
ganhos?
apanho outro autocarro, e caminho mais 15mn para chegar a casa. venho à beira-mar, passo por uma resma de homens que silenciam a conversa quando passo, digo boa tarde às pessoas, cumprimento um cão, sorrio, exercito o corpo e a mente...

lei de hoje

Abstenham-se de aproximar de mim críticas, queixas, determinações negativas.
Fico surda para essas palavras.


(por causa disto: http://evolucionconsciente.org/40-formas-de-eliminar-el-karma-de-tu-vida/)

sexta-feira, 13 de março de 2015

woman at work - 39 fotos e mais uma!

A propósito do nº 39,
no mês do meu 39º aniversário, partilho uma foto que podia muito bem fazer parte da série de 39 que o Huffington Post publicou no passado dia 6 :-)

Foto©Maria Simões. Perú.2010


eyes as big as plates


Foto©Riitta Ikonen / Karoline Hjorth

quarta-feira, 11 de março de 2015

Necessitamos de arte

"El arte en todas sus manifestaciones constituye una característica esencial que identifica al ser humano, ha permitido transmitir la cultura en toda su extensión y  ha sido y es básico para su supervivencia. Nuestro cerebro plástico necesita el arte. Ya en los primeros años y de forma natural el niño juega, canta, baila, dibuja y todas estas actividades son imprescindibles para su correcto desarrollo sensorial, motor, cognitivo, emocional y en definitiva cerebral que le van a permitir aprender a aprender. Y realizando todas estas actividades el niño se divierte, muestra orgulloso sus resultados a los demás, intenta mejorar y ésta es una forma efectiva de entrenar una de las grandes virtudes del ser humano: el autocontrol. La educación artística es una necesidad no porque nos haga más inteligentes sino porque nos permite adquirir toda una serie de competencias y rutinas mentales que están en plena consonancia con la naturaleza social del ser humano y que son imprescindibles para el aprendizaje de cualquier contenido curricular. Y esto es útil para todos los alumnos, por lo que se convierte en una forma estupenda de atender la diversidad en el aula."

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domingo, 8 de março de 2015

O país está electrificado...

O país está electrificado. Restam algumas casas isoladas ou apanhadas pela pobreza extrema, como a que Olga partilha com o irmão ou a que João habita sozinho no Marco de Canaveses.

foto: Adriano Miranda / texto: Ana Cristina Pereira

O alecrim e o tomilho não disfarçam o cheiro a fumo entranhado na casa de granito tosco. É uma casa pequena, apenas um quarto a dar para uma cozinha, sem chaminé, nem luz, nem água, nem gás, nem chão fiável, só alguns móveis e a lareira que Olga Ribeiro daqui a pouco acenderá.
Nunca teve electricidade. “Antigamente, ninguém tinha”, diz a mulher de rosto redondo, rosado. À luz da candeia, fazia-se muita lida de casa — e até trabalho agrícola. Mudou-se para esta casa aos seis anos, já lá vão 34, mas não a toma por sua. O senhorio morreu. “Os herdeiros não vieram procurar renda. Se ponho luz, ainda aparecem aí a dizer: ‘Quem mandou?’”
Há uns anos, atreveram-se a deitar uma camada de cimento no chão do quarto. O que lhes custou juntar dinheiro para aquilo! Na cozinha deixaram estar a terra e a pedra irregular. Nunca fizeram casa de banho. Lavam-se num balde grande, de plástico, igual ao que outros usam nas vindimas. Nunca fizeram retrete. “É lá fora, ao ar livre”, diz ela. Não têm água canalizada. “Vamos buscá-la à fonte.”
Num canto da cozinha, sobrepõem-se rolos de loureiro que o irmão, António, cortou com o serrote oval, agora pendurado na parede. António não se vê. Anda de roda das três ovelhas. Só Olga está em casa. Foi buscar uma couve penca à horta. Daqui a nada, há-de pôr a panela ferrugenta ao lume, com a couve, um punhado de feijão, três ou quatro batatas e água a cobrir tudo isso.

(continuar a ler aqui)

sexta-feira, 6 de março de 2015

Nidaa Badwan - uma fotógrafa encerrada no seu quarto na faixa de gaza

Foi durante mais de um ano que Nidaa Badwan praticamente não saiu do seu quarto. Tinha pouco mais que 9 metros quadrados. Com apenas uma janela e um candeeiro, isto foi muito mais que uma mera birra: a fotógrafa mostra-nos o que esteve a fazer durante tanto tempo, e como criou o seu próprio mundo no meio de uma zona de conflito.


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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Viola Smith

Já é tempo de dar início a uma nova rubrica há muito esquivada.
Hoje começo oficialmente a falar de mulheres incríveis!

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

domingo, 15 de fevereiro de 2015

continuo a filmar histórias de mulheres

Mais dois dias de entrevistas, a alma ainda mais cheia e o trabalho ainda não chega a meio.
Adoro ouvir contar histórias. 
Por mim, este projecto acompanhar-me-ia toda a vida. 
Não parava por aqui. 
Quem sabe?



E que não fique por contar a peripécia diária com as questões técnicas destas filmagens...
Um dia é a bateria, outro dia a memória, outro dia os cartões incompatíveis, outro dia o tempo de copiar para o computador, outro dia a luz sempre a mudar (estamos nos Açores, não é?), outro dia perdemos o autocarro e outro dia sei lá que mais vai acontecer...?
Mas todos os dias (todos!) há algo extra-ordinário pra contar...
Não tinha que ser fácil, pois não. Assim, talvez faça mais sentido!

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Volto a estar detrás da câmara! Tão bom!!!

Uns anos depois, volto a agarrar a câmara de filmar e a olhar para dentro das histórias de mulheres nos Açores.
Apesar do cansaço e das dificuldades (?) técnicas, está a ser uma experiência maravilhosa!
O caminho ainda só está no início, mas estas três mulheres já captaram a minha alma!



Obrigada Umar-Açores por confiar no meu olhar, outra vez.
Obrigada Umar-nacional por continuar a fazer tanta coisa que vale tanto a pena!!!
Obrigada Mário Roberto por todo o equipamento e a generosidade, sempre.
Obrigada Gabriela por tua condução, paciência e risos partilhados.
Obrigada, Clarisse, por andar ao meu lado e por se deixar distrair com a beleza da vida, junto a mim.

sábado, 7 de fevereiro de 2015

E uma camisa, és capaz de passar?

¬ E uma camisa, és capaz de passar?
¬ Acho que sim. Não há de ser muito difícil.
¬ Por acaso é. É das coisas mais difíceis de passar a fer­ro, uma camisa. Mas pronto, achas que és capaz?
¬ Se é das coisas mais difíceis, por que é que me pedes para passar precisamente a camisa?
¬ Eu não te estou a pedir. Estou a perguntar se és ca­paz. Calculo que não, mas pergunto à mesma.
¬ Isto parece conversa de malucos.
¬ Eu é que estou a dar em maluca ao ver a quantidade de coisas que tu não sabes fazer. Comecei pelas simples. Já vi que não sabes. Pode ser que sejas bom nas complicadas.
¬ Já te disse que não sei passar a ferro.
¬ Não. Tu disseste que não sabes passar T-shirts nem calças. E quando te perguntei se nunca tinhas aprendi­do, ficaste ofendido. Ora, as calças de ganga devem ser a coisa mais simples de passar a ferro. Mas fácil do que is­so, só se for um lençol. Mas tu, nem isso.
¬ Lembra-me por que é que estamos a ter esta conversa.
¬ Porque namoramos há quatro meses, tu tens mais de 40 anos, já foste casado e eu nunca te vi a mexer uma palha em casa. E agora achei que era boa ideia esclare­cer o assunto.
¬ Porquê agora?
¬ Porque ontem voltaste a falar em vivermos juntos.
¬ O que é que uma coisa tem a ver com a outra?
¬ Deves estar a brincar. Gosto muito de ti, mas achas que vou meter em minha casa uma pessoa que não sabe cozinhar? Que não passa a ferro, não limpa o pó…
¬ Mas tu queres um namorado ou uma empregada?
¬ Eu quero uma pessoa com quem possa partilhar tare­fas. Também quero partilhar a vida, a cama, as refeições, rebeubéu, pardais ao ninho. Isso é tudo muito bonito. Mas tem de ser alguém que se mexa.
¬ Já sabias que não sou muito prendado nas lides da casa.
¬ Eu já sabia que és um menino e que nunca fizeste na­da em casa porque a tua mãe, as tuas irmãs e a vossa em­pregada faziam tudo. Tu e o teu pai eram uns lordes. Mas não sabia que tu nem sequer sabes estrelar um ovo. Pen­sei que não gostasses muito. Mas na verdade não sabes.
¬ Nunca precisei. E vais ficar chateada comigo por causa disso?
¬ Chateada? Eu?! Não. Vou é pensar trinta vezes antes de me meter na aventura de viver contigo. Tu é que es­tás habituado a criadas, não sou eu.
¬ Não sei passar camisas, mas sei fazer outras coisas.
¬ Ah sim? Então quais, ó senhor homem? Estás a fa­lar de bricolage? O que é que tu sabes fazer? Sabes mu­dar uma torneira?
¬ Não, isso não. Para isso chamo um canalizador.
¬ E usar um berbequim? E fazer uma puxada de luz e montar uma tomada? E tapar uns buracos na parede para a pintar? Sabes? Se me vais dizer que és um artista a mudar lâmpadas, eu vou-me rir. Porque isso faço eu. Isso e as outras coisas todas. E também escusas de dizer que sabes aparar a relva porque eu não tenho quintal.
¬ Sei tratar do carro. Sabes fazer isso?
¬ Tratar de um carro? Correias de distribuição, folgas nos foles, ignição, discos de travão…? Isso não conta para o currículo de casa. Para isso vou a um mecânico.
¬ Estás mesmo a ponderar o nosso futuro em função do que eu faço em casa?
¬ Estou. E se outras mulheres fizessem o que eu estou a fazer, poupavam muitos dissabores. Para tua informa­ção, sintonizar os canais da televisão e garantir que es­tá tudo bem com o wi-fi não é grande ajuda hoje em dia.
¬ Se calhar devias queixar-te à minha mãe.
¬ Eu? Tu é que devias. E agradecer-lhe pela educação que não te deu. Ao menos sabes ir às compras? Escolher fruta. Comparar preços? Ver a melhor carne?
¬ Não.
¬ Então, além do sexo e de perceberes de música e de cinema, tu serves para quê, ao certo…?

Paulo Farinha, texto retirado daqui
postado cá porque é um excelente diálogo teatral e assim não se perde :-)

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

ARTIVISMO

às vezes, a meio do meu trabalho que, tento, sempre intervém e se posiciona a favor da justiça, da igualdade e da cooperação, propondo a construção de um mundo melhor, incentivando uma certa transformação social, sinto, como diz a canção, "uma raiva a nascer-me nos dentes".
por exemplo, ler notícias como estas faz-me definitivamente perguntar: afinal?! Afinal que faço com a minha arte tão pouco transformadora?
E sinto uma enorme vontade de sair mais e mais para a rua de dedo em riste a denunciar!
E a raiva aumenta! e o sentido de responsabilidade também! e não vejo a hora de que chegue o dia!
caramba! para quê e quem um espectáculo chamado UTOPIO a desejar correr mundo, quando o mundo parece ser, efectivamente, essa flor que não se cheira?...
a rua chama-me cada vez mais...

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014