segunda-feira, 4 de maio de 2015

o teatro que eu amo... por Slava Polunin

What Is My Kind of Theatre?
or
The Theatre I Love
- It is a kind of wedding cavalcade,
where I try to marry everyone to everyone;

- It is a theatre of ritual magic
and festive pageantry,
constructed on the basis of images and movements,
games and fantasies,
that are the common creation of the audience and the people of the theatre;

- It is a theatre which inexorably grows
from dreams and tales;

- It is a theatre of hopes and dreams,
full of longing and loneliness,
losses and disillusionment;

- It is a theatre which always changes,
which breaths spontaneous improvisation
and cares scrupulously for tradition;

- It is in the vein of contemporary
multi-layered synthesis,
on the boundary of life and art;

- It is a theatre that works in an epic-intimate alloy
of tragedy and comedy,
of absurdity and naivity,
of cruelty and gentleness;

- It is a theatre which escapes
definition and the unequivocal
understanding of its actions,
as from attempts
to usurp its freedom.


Slava Polunin

segunda-feira, 27 de abril de 2015

segunda-feira, 20 de abril de 2015

esto no es una escuela

esto no es una escuela
é um projecto que gostei muito de conhecer.
continuo a surpreender-me com as coisas que, sem procurar, me vêm tropeçar aos olhos e nos pés.

ali encontrei "esto es un viaje" e sinto a urgência de partilhar.
pedalando, pedalando, pedalando até adormecer.
:-)
https://vimeo.com/95319388

terça-feira, 7 de abril de 2015

viaja...

"Viaja, mas leva contigo toda a música que puderes (...) Leva a música da árvore, da romã, a música da ilha do sul, a música da primeira ocarina da manhã. Viaja e vai ampliando esse búzio com que escutas o mundo (...)"
Daniel Gonçalves In Poesia Reanimada.

terça-feira, 24 de março de 2015

uma picarota em Palmela

Mais uma entrevista filmada para continuar a engrandecer o coração. Desta vez, fui atrás de uma picarota, junto ao castelo de Palmela.
Continuo a sentir-me imensamente privilegiada pela generosidade destas mulheres que simplesmente pelo facto de me abrirem a porta, deixam que o mundo já se vá pondo um bocadinho melhor!



Bom dia!

segunda-feira, 23 de março de 2015

de Herberto Helder

Não sei como dizer-te que minha voz te procura
e a atenção começa a florir, quando sucede a noite
esplêndida e vasta.
Não sei o que dizer, quando longamente teus pulsos
se enchem de um brilho precioso
e estremeces como um pensamento chegado. Quando,
iniciado o campo, o centeio imaturo ondula tocado
pelo pressentir de um tempo distante,
e na terra crescida os homens entoam a vindima
— eu não sei como dizer-te que cem ideias,
dentro de mim, te procuram.
 
Quando as folhas da melancolia arrefecem com astros
ao lado do espaço
e o coração é uma semente inventada
em seu escuro fundo e em seu turbilhão de um dia,
tu arrebatas os caminhos da minha solidão
como se toda a casa ardesse pousada na noite.
— E então não sei o que dizer
junto à taça de pedra do teu tão jovem silêncio.
Quando as crianças acordam nas luas espantadas
que às vezes se despenham no meio do tempo
— não sei como dizer-te que a pureza,
dentro de mim, te procura.
 
Durante a primavera inteira aprendo
os trevos, a água sobrenatural, o leve e abstracto
correr do espaço —
e penso que vou dizer algo cheio de razão,
mas quando a sombra cai da curva sôfrega
dos meus lábios, sinto que me faltam
um girassol, uma pedra, uma ave — qualquer
coisa extraordinária.
Porque não sei como dizer-te sem milagres
que dentro de mim é o sol, o fruto,
a criança, a água, o deus, o leite, a mãe,
o amor,
 
que te procuram.
(excerto do poema «Tríptico», publicado em A Colher na Boca, 1961)

ganhos e perdas

Caminhando pela cidade, dirijo-me à paragem do autocarro, enquanto decido:
- Vou deixar de me queixar pelo facto de não ter carro... vou deixar de ter a boleia como primeira alternativa... vou aproveitar o que a vida de transporte público me dá.

e pensava coisas novas e tinha ideias plim...
sento-me à espera. 5, 10, 15 minutos...
e o autocarro não vem.

resultado?
aquele que eu ia apanhar não passa naquela paragem.
passadas 2h chego a casa. os 10 km que separam a minha casa da cidade saem muito caros, assim.
ganhos?
apanho outro autocarro, e caminho mais 15mn para chegar a casa. venho à beira-mar, passo por uma resma de homens que silenciam a conversa quando passo, digo boa tarde às pessoas, cumprimento um cão, sorrio, exercito o corpo e a mente...

lei de hoje

Abstenham-se de aproximar de mim críticas, queixas, determinações negativas.
Fico surda para essas palavras.


(por causa disto: http://evolucionconsciente.org/40-formas-de-eliminar-el-karma-de-tu-vida/)

sexta-feira, 13 de março de 2015

woman at work - 39 fotos e mais uma!

A propósito do nº 39,
no mês do meu 39º aniversário, partilho uma foto que podia muito bem fazer parte da série de 39 que o Huffington Post publicou no passado dia 6 :-)

Foto©Maria Simões. Perú.2010


eyes as big as plates


Foto©Riitta Ikonen / Karoline Hjorth

quarta-feira, 11 de março de 2015

Necessitamos de arte

"El arte en todas sus manifestaciones constituye una característica esencial que identifica al ser humano, ha permitido transmitir la cultura en toda su extensión y  ha sido y es básico para su supervivencia. Nuestro cerebro plástico necesita el arte. Ya en los primeros años y de forma natural el niño juega, canta, baila, dibuja y todas estas actividades son imprescindibles para su correcto desarrollo sensorial, motor, cognitivo, emocional y en definitiva cerebral que le van a permitir aprender a aprender. Y realizando todas estas actividades el niño se divierte, muestra orgulloso sus resultados a los demás, intenta mejorar y ésta es una forma efectiva de entrenar una de las grandes virtudes del ser humano: el autocontrol. La educación artística es una necesidad no porque nos haga más inteligentes sino porque nos permite adquirir toda una serie de competencias y rutinas mentales que están en plena consonancia con la naturaleza social del ser humano y que son imprescindibles para el aprendizaje de cualquier contenido curricular. Y esto es útil para todos los alumnos, por lo que se convierte en una forma estupenda de atender la diversidad en el aula."

 continuar a ler aqui


domingo, 8 de março de 2015

O país está electrificado...

O país está electrificado. Restam algumas casas isoladas ou apanhadas pela pobreza extrema, como a que Olga partilha com o irmão ou a que João habita sozinho no Marco de Canaveses.

foto: Adriano Miranda / texto: Ana Cristina Pereira

O alecrim e o tomilho não disfarçam o cheiro a fumo entranhado na casa de granito tosco. É uma casa pequena, apenas um quarto a dar para uma cozinha, sem chaminé, nem luz, nem água, nem gás, nem chão fiável, só alguns móveis e a lareira que Olga Ribeiro daqui a pouco acenderá.
Nunca teve electricidade. “Antigamente, ninguém tinha”, diz a mulher de rosto redondo, rosado. À luz da candeia, fazia-se muita lida de casa — e até trabalho agrícola. Mudou-se para esta casa aos seis anos, já lá vão 34, mas não a toma por sua. O senhorio morreu. “Os herdeiros não vieram procurar renda. Se ponho luz, ainda aparecem aí a dizer: ‘Quem mandou?’”
Há uns anos, atreveram-se a deitar uma camada de cimento no chão do quarto. O que lhes custou juntar dinheiro para aquilo! Na cozinha deixaram estar a terra e a pedra irregular. Nunca fizeram casa de banho. Lavam-se num balde grande, de plástico, igual ao que outros usam nas vindimas. Nunca fizeram retrete. “É lá fora, ao ar livre”, diz ela. Não têm água canalizada. “Vamos buscá-la à fonte.”
Num canto da cozinha, sobrepõem-se rolos de loureiro que o irmão, António, cortou com o serrote oval, agora pendurado na parede. António não se vê. Anda de roda das três ovelhas. Só Olga está em casa. Foi buscar uma couve penca à horta. Daqui a nada, há-de pôr a panela ferrugenta ao lume, com a couve, um punhado de feijão, três ou quatro batatas e água a cobrir tudo isso.

(continuar a ler aqui)

sexta-feira, 6 de março de 2015

Nidaa Badwan - uma fotógrafa encerrada no seu quarto na faixa de gaza

Foi durante mais de um ano que Nidaa Badwan praticamente não saiu do seu quarto. Tinha pouco mais que 9 metros quadrados. Com apenas uma janela e um candeeiro, isto foi muito mais que uma mera birra: a fotógrafa mostra-nos o que esteve a fazer durante tanto tempo, e como criou o seu próprio mundo no meio de uma zona de conflito.


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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Viola Smith

Já é tempo de dar início a uma nova rubrica há muito esquivada.
Hoje começo oficialmente a falar de mulheres incríveis!

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

domingo, 15 de fevereiro de 2015

continuo a filmar histórias de mulheres

Mais dois dias de entrevistas, a alma ainda mais cheia e o trabalho ainda não chega a meio.
Adoro ouvir contar histórias. 
Por mim, este projecto acompanhar-me-ia toda a vida. 
Não parava por aqui. 
Quem sabe?



E que não fique por contar a peripécia diária com as questões técnicas destas filmagens...
Um dia é a bateria, outro dia a memória, outro dia os cartões incompatíveis, outro dia o tempo de copiar para o computador, outro dia a luz sempre a mudar (estamos nos Açores, não é?), outro dia perdemos o autocarro e outro dia sei lá que mais vai acontecer...?
Mas todos os dias (todos!) há algo extra-ordinário pra contar...
Não tinha que ser fácil, pois não. Assim, talvez faça mais sentido!

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Volto a estar detrás da câmara! Tão bom!!!

Uns anos depois, volto a agarrar a câmara de filmar e a olhar para dentro das histórias de mulheres nos Açores.
Apesar do cansaço e das dificuldades (?) técnicas, está a ser uma experiência maravilhosa!
O caminho ainda só está no início, mas estas três mulheres já captaram a minha alma!



Obrigada Umar-Açores por confiar no meu olhar, outra vez.
Obrigada Umar-nacional por continuar a fazer tanta coisa que vale tanto a pena!!!
Obrigada Mário Roberto por todo o equipamento e a generosidade, sempre.
Obrigada Gabriela por tua condução, paciência e risos partilhados.
Obrigada, Clarisse, por andar ao meu lado e por se deixar distrair com a beleza da vida, junto a mim.

sábado, 7 de fevereiro de 2015

E uma camisa, és capaz de passar?

¬ E uma camisa, és capaz de passar?
¬ Acho que sim. Não há de ser muito difícil.
¬ Por acaso é. É das coisas mais difíceis de passar a fer­ro, uma camisa. Mas pronto, achas que és capaz?
¬ Se é das coisas mais difíceis, por que é que me pedes para passar precisamente a camisa?
¬ Eu não te estou a pedir. Estou a perguntar se és ca­paz. Calculo que não, mas pergunto à mesma.
¬ Isto parece conversa de malucos.
¬ Eu é que estou a dar em maluca ao ver a quantidade de coisas que tu não sabes fazer. Comecei pelas simples. Já vi que não sabes. Pode ser que sejas bom nas complicadas.
¬ Já te disse que não sei passar a ferro.
¬ Não. Tu disseste que não sabes passar T-shirts nem calças. E quando te perguntei se nunca tinhas aprendi­do, ficaste ofendido. Ora, as calças de ganga devem ser a coisa mais simples de passar a ferro. Mas fácil do que is­so, só se for um lençol. Mas tu, nem isso.
¬ Lembra-me por que é que estamos a ter esta conversa.
¬ Porque namoramos há quatro meses, tu tens mais de 40 anos, já foste casado e eu nunca te vi a mexer uma palha em casa. E agora achei que era boa ideia esclare­cer o assunto.
¬ Porquê agora?
¬ Porque ontem voltaste a falar em vivermos juntos.
¬ O que é que uma coisa tem a ver com a outra?
¬ Deves estar a brincar. Gosto muito de ti, mas achas que vou meter em minha casa uma pessoa que não sabe cozinhar? Que não passa a ferro, não limpa o pó…
¬ Mas tu queres um namorado ou uma empregada?
¬ Eu quero uma pessoa com quem possa partilhar tare­fas. Também quero partilhar a vida, a cama, as refeições, rebeubéu, pardais ao ninho. Isso é tudo muito bonito. Mas tem de ser alguém que se mexa.
¬ Já sabias que não sou muito prendado nas lides da casa.
¬ Eu já sabia que és um menino e que nunca fizeste na­da em casa porque a tua mãe, as tuas irmãs e a vossa em­pregada faziam tudo. Tu e o teu pai eram uns lordes. Mas não sabia que tu nem sequer sabes estrelar um ovo. Pen­sei que não gostasses muito. Mas na verdade não sabes.
¬ Nunca precisei. E vais ficar chateada comigo por causa disso?
¬ Chateada? Eu?! Não. Vou é pensar trinta vezes antes de me meter na aventura de viver contigo. Tu é que es­tás habituado a criadas, não sou eu.
¬ Não sei passar camisas, mas sei fazer outras coisas.
¬ Ah sim? Então quais, ó senhor homem? Estás a fa­lar de bricolage? O que é que tu sabes fazer? Sabes mu­dar uma torneira?
¬ Não, isso não. Para isso chamo um canalizador.
¬ E usar um berbequim? E fazer uma puxada de luz e montar uma tomada? E tapar uns buracos na parede para a pintar? Sabes? Se me vais dizer que és um artista a mudar lâmpadas, eu vou-me rir. Porque isso faço eu. Isso e as outras coisas todas. E também escusas de dizer que sabes aparar a relva porque eu não tenho quintal.
¬ Sei tratar do carro. Sabes fazer isso?
¬ Tratar de um carro? Correias de distribuição, folgas nos foles, ignição, discos de travão…? Isso não conta para o currículo de casa. Para isso vou a um mecânico.
¬ Estás mesmo a ponderar o nosso futuro em função do que eu faço em casa?
¬ Estou. E se outras mulheres fizessem o que eu estou a fazer, poupavam muitos dissabores. Para tua informa­ção, sintonizar os canais da televisão e garantir que es­tá tudo bem com o wi-fi não é grande ajuda hoje em dia.
¬ Se calhar devias queixar-te à minha mãe.
¬ Eu? Tu é que devias. E agradecer-lhe pela educação que não te deu. Ao menos sabes ir às compras? Escolher fruta. Comparar preços? Ver a melhor carne?
¬ Não.
¬ Então, além do sexo e de perceberes de música e de cinema, tu serves para quê, ao certo…?

Paulo Farinha, texto retirado daqui
postado cá porque é um excelente diálogo teatral e assim não se perde :-)