sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Cataratas de Iguazu - meia dúzia de fotos

burocracias... de uma viajeira aventureira

Nao é que eu tenha deixado para a última da hora (como se eu fosse tao descomandda assim, né pai?)... na realidade já comecei a tratar deste assunto na passada 2ª feira. Curiosamente, a SATA respondeu com enorme prontidao e,sendo eu residente açoriana (valha-me essa alegria!!), estou com o regresso em aberto válido até 7Jan2011. Muito bem, aliás. Obrigada SATA. Era o mínimo.
Já para alterar a passagem Buenos Aires-Madrid-Lisboa (nao sei se é por estarmos a falar só de capitais...), via Turangra (a tal empresa também dos açores...) o custo de reemissao do bilhete é de 150 euros. Até aqui tudo bem, já eu sabia. Mas ao que parece tem um custo acrescido de 950 euros para eu poder ir mais tarde, no ano, na vida... Obviamente que estou a consultar outras hipóteses, curiosamente os escritórios da Iberia na Argentina sao uma ficçao e o call center de Espanha um desespero em fila de espera (tipo call center da Sata)... Daí que vejo-me forçada a faltar forçosamente ao voo que com muita força me levaria de volta à península, no próximo dia 2 de Março ... Assim, ficarei mesmo aqui, por terras latino-americanas, à espera, à espera, à espera da lua cheia, sem regresso marcado. Vai daí que se, na altura, me faltar o tostao... irei de barco. Genuíno, arranjas-me uma boleia?

Socialismo, social-ismo vivo, socialismo cultural

aceito contribuiçoes, opinioes, provocaçoes sobre o tema!

Adeus Argentina

ou melhor,
- Bom dia Bolívia.
Amanha cruzo a pé a fronteira Argentina-Bolívia, entre La Quiaca e Villazón. É assim, dizem-me. Uma ponte que terei que cruzar a pé, mochilando a casa e a parte da vida que trago comigo.
Dois meses na Argentina já servem um tratado que nao estou a conseguir escrever, condensar, absorver. Andar sozinha acelera todos os processos. Viajar sem rumo faz palpitar certezas e acentua dúvidas. Ser mulher, torna tudo mais feminino... é dos meus olhos, claro! Faço paz com os homens. Olho as mulheres. Cruzo-me com pessoas (sem género!).
Das reflexoes mais recentes nasceram-me dois cadernos manuscritos em divagaçoes amorosas, políticas, sociológicas, históricas... enfim! Na última viagem (desde ontem às 14h30 até hoje às 17h30), fiz uma lista do que eu faria se fosse presidente do Governo dos Açores (eheheh). Atempadamente, iniciarei a campanha ;) Equipa procura-se!
Ao mesmo tempo desenho projectos para o futuro. Faço mandalas com aguarelas. Procuro incessantemente um caminho único. Um sentido maior. Tudo me parece possível, hoje. Mudar o mundo, uma organizaçao local com olhos no global, uma nova vivencia de ilha e de regiao, a minha rua (que nao tenho), a minha casa que sou apenas eu.
Na 2ª feira começo o trabalho na Performing Arts, Cochabamba, Bolívia. Por enquanto, na Argentina, todas as pessoas suspiram quando digo que vou para aquele país... (aquilo é muito desorganizado... dizem. Eu vou ver.)
Destes dois meses, uma certeza... cidades? Nao, obrigada! Cafés? Sim. Mate, terra a perder de vista, rios. A relatividade das distâncias... aqui estar perto é estar a 1000Km. Buenos Aires é cidade... o resto do país é a Argentina! Profunda. Aqui em Jujuy até se notam diferentes os traços e os olhares das pessoas na rua. Sao pessoas mais antigas. Mais bonitas (digo eu).

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Alento II

caminho descalça pelo convés
encerro pegadas
enraizadas da água
vou de barco
para estar perto do infinito de cegar
escorrego. Nao chego a cair

a viagem faz-se com a alma
nao com o viajar

algures o caminho se estria de sombras
e é dor
a travessia
a saudade
a miragem
parar

vivo todos os dias
sem me doerem pegadas
as feridas, os calos contam a vida
pareço flutuar

mas quando carrego a casa
é salgada de mirra a caminhada

deixarei, entao, para trás,
no porto, a memória
rumo a outro lugar.
quando me cansem os pés
pousarei o regaço no teu colo
cheio de saber olhar
deitada
ondulando ao vento.
hei-de chegar

aí, onde param as palavras
poderei, finalmente, repousar
a cabeça
no aroma do teu abraço
novo
magro
terno

beijarei os teus pés
com a água salgada dos meus olhos
tu beijarás os meus
os pés, os olhos

tu serás o barco
eu a casa.


(dedicado ao Alento de RP)

um certo jeito

com as crianças? eu??? naaa. acabo de impressionar a mae de dois gémeos... diz que nao percebe como estao há tanto tempo (2 horas!) comigo, sossegados... E sao tres da manha, por aqui... Eu sei, um deles está apaixonado por uma Maria. O outro adora animais. Um deles anda cheio de dúvidas sobre espíritos e fantasmas, o outro diz que uma fotografia dos Açores que lhe mostrei parecia o paraíso... Chamamos dalmatas às vacas e mostrei-lhes fotografias e contei histórias... Bom, basicamente eu e eles entendemo-nos. Essa é que é essa. Simples, a vidinha...

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

chuva tropical

Remando no meio do rio paraná, hoje, calhou-me apanhar uma tremenda chuva tropical. MARAVILHA dos céus que, como eu, choram de alegria e confundem lágrimas e gotas e água de rio caminhando até ao mar. O sabor da chuva é belo. O riso que me nasce nestes momentos de calor é infância renovada, inesquecida. Até nos olhos se vê. Verdes respirando a luz do céu. Felicidade é isto. Um pedaço de estar viva!

al otro lado del rio

te acuerdas, princesa?
estou muito perto da ilha do leprosario do filme "Diarios de motocicleta" ou, em português "Diários de Che Guevara"! Do outro lado do rio fica o Paraguay. A musica do uruguaio Jorge Drexler redonda a minha cabeça, a invade e aperta o coraçao.
É lindo isto por aqui...
A ilha já nao tem o leprosário mas uma instalaçao turística...
O outro lado do rio, como o outro lado do mar, e sempre um lugar novo para se ser outra vez.
Eu.

eu, a pedido de várias famílias...

ou melhor, para o sobrinho Francisco que só tem visto paisagens e pergunta se estarei mesmo aqui...
Sim, Francisco, estou aqui, no sul do mundo... e é tudo muito, muito lindo! Um mundo novo.

o mundo gira

Ao cair da madrugada, no sossego da almofada, volto a ser viagem.
O mundo gira e, como disse o poeta, pula e avança.
Uma pessoa parada nao move o mundo que a move. Há, por isso, que viajar! Correr. Estar quieta, aprender a paz mas nunca parada. Caminhar livremente, num planeta sem fronteiras! Em definitivo, o mundo será um lugar melhor quando se derrube a última fronteira. Utopia para construir! Ir construindo!
Tudo o que rodeia
o buraco de uma fechadura
é tao somente uma porta.

A mao, a maçaneta, as dobradiças
as temos, cada um e cada uma.

Tudo o que rodeia
uma porta
é tao somente uma parede.
a matéria de que é feita
a decidimos, cada um
e cada uma.

Tudo o que rodeia
uma parede
é tao somente prisao.

Se olharmos pelo buraco da fechadura, pode ser que alcancemos vislumbrar o interior de estar pres@ ou a própria liberdade. Tudo depende do lugar onde cada um se encontre. E, para isso, para posicionar-se, cada um e cada uma tem as maos próprias que abrem portas, derrubam prisoes.

Karai, mulher e filho

Karai é o nome guarani que significa homem ou senhor. É o chefe da aldeia que visitei. O homem com um sorriso sem dente que preparou o banco debaixo da árvore para eu me sentar, a conversar. Ganhei daquele pedaço de dia uma profunda indignaçao e tristeza. As peças de um puzzle juntam-se e a realidade de muitos dos seres humanos do planeta é verdadeiramente triste. Aprendi a palavra longe em guarani, e foi como ele definiu o lugar de onde venho. Aprendi o nome da sua aldeia. Aprendi que uma professora vai diariamente à aldeia ensinar todas as crianças. Aprendi, aprendi, aprendi... e depois, ainda ali, quis ficar calada. Um dos bebés começou a chorar ao colo. Enxotava-me com a mao e certamente, li, pedia que me fosse embora. Fui, sem duvida.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

o meu mate...


é relindo!!! Relindo nao é uma palavra inventada por mim. É espanhol argentino!!! E funciona!. Re-lindo. Re-feo. Re-comprometido! Re para tudo, tudo, tudo...
Enfim, este é o meu mate, uruguaio, curado na Argentina durante 5 dias com yerba uruguaia também (por acaso, nada de propósito) chegou a San Ignacio e... hummm... cebei-o eu mesma para mim! e humm, é bom!
Quando inventarem o envio de cheiros e sabores por email... eu envio! Até lá, mando as minhas palavras (para os guaranis, a palavra é de tal modo ouro que nem escrevem!!! apenas vivem a oralidade. E toda a cultura se tem transmitido assim. E é perfeito, acreditem!)
Para mim, tomar mate é já eu!

brasil

Eu já nao tinha muitos planos de ir ao Brasil, mas quanto mais brasileiros se cruzam comigo, menos vontade tenho! O turista brasileiro na Argentina e Uruguai é, como se diz nos Açores, soberbo!
Que me desculpem os que nao se têm cruzado comigo... Nao quero generalizar!

indios sul americanos

Chego a um novo paraíso.
Fujo das cidades. Depois de ter estado, ontem, nas Cataratas do Iguazu (para as quais nao me sobram as palavras) hoje aterro em San Ignacio. Esta noite já estive nas ruínas Jesuítas. Um novo mundo se me apresenta. Os índios guaranís estao perto e vivem em 10 aldeias à volta de San Ignacio. Resistem. Sobrevivem à pressao do branco. À minha, à tua, à de quase meio mundo...
Aqui ao lado, saíndo da província de Misiones, na vizinha El Chaco, um genocídeo faz-se presente na vida desnutrida de milhoes de aborígenas. Essas imagens deste lado do mar vivem absolutamente escondidas e negadas pela classe política, pela sociedade em geral, pelo mundo. A mim, dizem que nao há nada para ver, lá. Eu nao quero ver. Quero denunciar!

(ler o artigo (em periodismo, notas y articulos) de Mempo Giardinelli aqui)
(fotografia documental aqui)

sábado, 20 de fevereiro de 2010

os putos

morenos e sujos
de olhos e cabelos negros
beleza em estado escondido
- un peso!
e um peso.
Sao como gatos
vivos.
- un peso, señora!
e uma vida a mais
- no, ahora no.
e uma vida a menos.
Os putos contam as vidas
em pesos
e pesam-me os pesos
na carteira
- vamo'! sienta te. Puedes?
Diz que sim.
brilha-lhe no rosto negro o olhar
chama-se puto
e nao tem outro nome.
como os gatos da rua
num bar de tango
em puerto del iguazu.
argentina.
profunda.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Encontrei um (o?) lugar!!!

Chama-se Cabo Polónio. Uruguai. Ali viveria eu metade do ano (ou da vida?).
E adivinho-me, sem dúvida, simplesmente feliz!
No inverno apenas vivem 100 pessoas no Cabo Polónio, que é uma reserva natural... O isolamento é, certamente, uma dureza, uma provocaçao para a resistência humana!
Ao largo de Cabo Polónio naufragaram muitos barcos.
Ali, faria um filme. Um doc.
Eu apaixonei-me por aquele farol. E pelo grito dos lobos marinhos. E pelas cabanas de madeira... e pelas dunas móveis... e pela omelete de algas... e por ... e por... e por...
fotos retiradas vários sites (google images)... que eu cá, nao pude!

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

o adeus, a memória, os registos

14fev10
As despedidas, as mortes, as perdas... sao um assunto que me ocupa muitas vezes o pensamento e me têm constantemente provocado a um novo (ou re-novo, ou renovadoi) auto-conhecimento. Nao consigo concretizar a ideia que me atravessa o cérebro nos imediatos segundos antes de me despedir de alguém. Creio, a posteriori apenas, que há, algures por aí, um sentimento de perda com o qual só recentemente comecei a aprender viver...(E viver com ele é aprender a nao posse, aprender que ninguém é de ninguém, aprender que nada é eterno). Nao chego a racionalizar o pensamento que me aparece nas despedidas mas, ainda assim, as lágrimas chegam (ainda que só por dentro do olhar...) e dói. Nao gosto de despedidas! Nao gosto que me doa, nada! Hummm... e isto nao interessaria nada se ontem nao me tivesse voltado a bailar o choro quando abracei a Natalí e ela me deu uma metade de pedra Picasso (a outra metade guarda-a ela) ou se hoje, precisamente hoje, nao tivesse conhecido o Jorge. Uruguaio maior que se me cruzou no caminho porque tinha que ser, porque eu tinha que aprender que ele perdeu um filho com 8 anos, que se separou da mulher há 6 por honra e ele nao queria ser o mau da fita, para a filha, sempre! Disse à mulher: "Se aprovares este casamento, eu vou-me de casa!". E foi.
...
Eu nao fiz nenhuma foto hoje porque fiquei sem bateria na máquina e ... pior! deixei o carregador em Montevideo... Depois, pensei (para nao me angustiar, eu sou jeitosa a dar a volta ao texto, dizem...) que já há na internet milhoes de fotos de Punta del Diablo e podia passar sem as minhas...
Sim, estou aqui. Acreditem! Posso provar com o olhar.
e com as palavras.

mas também tenho pensado sobre isto. Para que escrevo eu, afinal? Para registar o que penso, para me daro prazer de brincar com as palavras hoje para reler mais tarde o que vivi? Mas ler o que escrevi sobre o que penso que vivi... ???? é tudo o plano do pensar. nao é de facto isso que importa. Isso nao é ser. (estou outra vez num computador onde nao posso colocar o til sobre o 'a' em sobre o 'o'...
A única coisa porque valerá a pena continuar a escrever é porque há pessoas que me lêem, me vêem, me sentem (e outras que me conhecem) através do blogue. Bem sei :)
Mas... se eu deixar de publicar é tao somente porque estou a tratar de viver mais e registar exteriormente menos. Por isso, hoje, até a máquina fotográfica fez boicote a um dos mais extraordinários pores-do-sol que alguma vez vi! Ao sul ou ao norte. Só comparável com ... nao digo !

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Punta del diablo

Uma diabinha (descomandada, como diz o meu pai...) tinha que escolher um lugar assim, para se esquecer de ser, nao vos parece?