segunda-feira, 4 de junho de 2018

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

aprendi...

"Aprendi o silêncio com os faladores, a tolerância com os intolerantes, a bondade com os maldosos, e, por mais estranho que pareça, sou grato a esses professores."
Khalil Gibran

uau

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

meu detergente de loiça caseiro


4 canecas de chá vinagre de sidra
12 canecas de água
2 cabecas de sabão ralado (ou sabonete natural, ou de glicerina)
sumo de 2 limões (médios)
8 colheres de sopa de bicarbonato de sódio
2 punhados de sal grosso


ralar o sabão
juntar a água ao vinagre até ferver. reduzir para o mínimo o fogo. depois adicionar os ingredientes por esta ordem: sal, limão, sabão e bicarbonato de sódio.
só se adiciona um ingrediente quando já se diluiu o anterior. deve estar sempre a mexer continuamente com uma colher de pau...
cuidado na fase final, quando se junta o bicarbonato, ele pode fazer tudo sair da panela. eu uso uma panela de 10 litros e é pequena pelo que desligo o fogão antes de juntar o bicarbonato e mexo com mais velocidade, junto devagarinho o bicarbonato.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Grilo na sala

O grilo na sala adora a chuva, lá de fora, e canta que se farta, cá dentro. Quando eu era pequenina, o Titó tinha-os numas gaiolas miniatura recheado-as de tenras folhas de alface, todos os dias, só para os ouvir cantar ... Gostava ele daquele canto :-) Eu sou mais pela liberdade do grilo (ou será uma grila?) e deixo-o andar à solta pela casa. (verdade seja dita que já lhe disse hoje duas vezes onde está a porta da rua, caso ele se tenha esquecido) E folhinhas tenras de alface... isso é que não, desculpe meu senhor, senhora... se quer comidinha verde e tenra, tem muita ali fora. Deixarei a porta aberta. Tenho dito e, a ser religiosa, terminaria com um "Ámen".

quinta-feira, 20 de abril de 2017

CAL I

sobrinha neta e bisneta de caiadeiras, caiar tem que saber!
Preparei hoje a minha primeira baldada de cal a partir de pedras!
E está bem linda.
:-)
Os avisos de meia população alarmista fizeram-me vestir assim:


O resultado final pode ser visto amanhã, em foto de telemóveis que fotografem decentemente.
Os baldes metálicos (de tinta) são já difíceis de encontrar mas o vizinho Francisco (com a ajuda de meia rua da costa) lá me desenrascou um belo balde de lata de 20 litros.

Juntei em 10 litros de água um pouco de óleo de linhaça.  Deixei-lhe cair lentamente 3 kg de pedra de cal. Esperei meia hora. Mexi com um pau. Juntei mais 2 kg de pedra de cal ao preparado. Vi a coisa começar a burbulhar, mexi só uma vez para desfazer o aglomerado que se formou (1 pedra grande, grande que, por conseguinte, poderia vir a ser perigosa). Esperei mais meia hora. Voltei a mexer com um pau.
A mistura está bastante grossa pois falta-lhe juntar água ... mas está bem linda, com uma bela cor branca e sem grumos.


Amanhã há mais caiadeira!
Segui os conselhos da maravilhosamente linda e mais do que octagenária vizinha Adélia, da senhora da loja, do Júlio, da vizinha Alcine e do Sr. Francisco e foi tudo confirmado aqui:
http://domusmater.blogs.sapo.pt/23885.html
e muita inspiração e incentivo aqui: https://caiarte.wordpress.com/

Recordo conversa de ontem:
- Então mas você vai pintar com cal?
- Claro, pois, com que é que havia de pintar?
- Mas a sua casa é caiada?
- É sim, é sim.
- ...
(silêncio do outro lado e o ar dúbio de quem, no meu lugar, pintaria mas é com tinta daquela cheia de químicos e que não deixa respirar paredes... )

Há coisas que continuam a parecer muito estranhas à vizinhança. Uma é que eu deite abaixo paredes. Outra é que eu ofereça maçãs à janela. Ainda o facto de falar com toda a gente e me rir alto! (que alegria, vizinha! quando é que vem para cá viver?) Agora, é estranho (mas ao mesmo tempo, reparo, motivo de admiração bonita) que eu vá caiar.
Pois que sim. Claro que vou!
Amanhã ;-)

quinta-feira, 30 de março de 2017

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

UBUNTU


Uma sociedade sustentada pelos pilares do respeito e da solidariedade faz parte da essência de ubuntu, filosofia africana que trata da importância das alianças e do relacionamento das pessoas, umas com as outras. Na tentativa da tradução para o português, ubuntu seria “humanidade para com os outros”. Uma pessoa com ubuntu tem consciência de que é afetada quando seus semelhantes são diminuídos, oprimidos. – De ubuntu, as pessoas devem saber que o mundo não é uma ilha: “Eu sou porque nós somos”. Eu sou humano, e a natureza humana implica compaixão, partilha, respeito, empatia – detalhou em entrevista exclusiva ao Por dentro da África, Dirk Louw, doutor em Filosofia Africana pela Universidade de Stellenbosch (África do Sul). Dirk conta que não há uma origem exata da palavra. Estudiosos costumam se referir a ubuntu como uma ética “antiga” que vem sendo usada “desde tempos imemoriais”. Alguns pesquisadores especulam sobre o Egito Antigo (parte de um complexo de civilizações, do qual também faziam parte as regiões ao sul do Egito, atualmente no Sudão, Eritreia, Etiópia e Somália) como o local de origem do ubuntu como uma ética, mas o próprio fundamento do ubuntu é geralmente associado à África Subsaariana e às línguas bantos (grupo etnolinguístico localizado principalmente na África Subsaariana).
No fundo, este fundamento tradicional africano articula um respeito básico pelos outros. Ele pode ser interpretado tanto como uma regra de conduta ou ética social. Ele descreve tanto o ser humano como “sercom-os-outros” e prescreve que “ser-com-os-outros” deve ser tudo. Como tal, o ubuntu adiciona um sabor e momento distintamente africanos a uma avaliação descolonizada – contou o especialista e membrofundador da South African Philosopher Consultants Association.
CONHEÇA Por dentro da África
Na esfera política, o conceito é utilizado para enfatizar a necessidade da união e do consenso nas tomadas de decisão, bem como na ética humanitária. Dirk lembra que também existe o aspecto religioso, assentado na máxima zulu (uma das 11 línguas oficiais da África do Sul) umuntu ngumuntu ngabantu (uma pessoa é uma pessoa através de outras pessoas) que, aparentemente, parece não ter conotação religiosa na sociedade ocidental, mas está ligada à ancestralidade. A ideia de ubuntu inclui respeito pela religiosidade, individualidade e particularidade dos outros.
Ubuntu ressalta a importância do acordo ou consenso. A cultura tradicional africana, ao que parece, tem uma capacidade quase infinita para a busca do consenso e da reconciliação (Teffo, 1994a: 4 – Towards a conceptualization of Ubuntu). Embora possa haver uma hierarquia de importância entre os oradores, cada pessoa recebe uma chance igual de falar até que algum tipo de acordo, consenso ou coesão do grupo seja atingido. Este objetivo importante é expresso por palavras como Simunye (“nós somos um”, ou seja, “a união faz a força”) e slogans como “uma lesão é uma lesão para todos” (Broodryk, 1997a: 5, 7, 9 – Ubuntu Management and Motivation, de Johann Broodryk). Uso da palavra com a democracia na África do Sul Após quase cinco décadas de segregação racial apoiada pela legislação, o processo de construção da África do Sul no pós-apartheid exigia igualdade universal, respeito pelos direitos humanos, valores e diferenças. Desta forma, a ideia de ubuntu estava diretamente ligada à história da luta contra o regime que excluía a cidadania e os direitos dos negros.

in http://www.revistapazes.com/ubuntu-filosofia-africana-que-nutre-o-conceito-de-humanidade-em-sua-essencia/

quinta-feira, 10 de março de 2016

Se você fala com os animais 
eles falarão com você e vocês conhecerão um ao outro. 
Se não falar com eles 
você não os conhecerá, 
e o que você não conhece você temerá. 
E aquilo que tememos, destruímos.
 

Chefe Dan George (Índio norte americano)

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Breve introdução à arte do abraço

O abraço é uma longa conversa que acontece sem palavras. Tudo 
o que tem de ser dito soletra-se no silêncio

Diz-se que o nosso corpo tem a forma de um abraço. Talvez por isso a tarefa de abraçar seja tão simples, mesmo quando temos de percorrer um longo caminho. O abraço tem uma incrível força expressiva. Comunica a disponibilidade de entrar em relação com os outros, superando o dualismo, fazendo cair armaduras e motivos, cedendo, nem que seja por instantes, na defesa do espaço individual. Há uma tipologia vastíssima de abraços, e cada uma delas ensina alguma coisa sobre aquilo que um abraço pode ser: acolhimento e despedida, congratulação e luto, reconciliação e embalo, afeto ou paixão. Os abraços são a arquitetura íntima da vida, o seu desenho invisível, mas absolutamente presente; são plenitude consentida ao desejo e memória que revitaliza. Todos nos reconhecemos aí: em abraços quotidianos e extraordinários, abraços dramáticos ou transparentes, abraços alagados de lágrimas ou em puro júbilo, abraços de próximos ou de distantes, abraços fraternos ou enamorados, abraços repetidos ou, porventura, naquele único e idealizado abraço que nunca chegou a acontecer mas a que voltamos interiormente vezes sem conta.
No princípio era o abraço, se pensarmos no colo que nos nutriu na primeira infância. Essa foi, para a maioria de nós, a primeira e reconfortante forma de comunicação. Mas a necessidade de um abraço acompanha a nossa existência até ao fim. O abraço é uma longa conversa que acontece sem palavras. Tudo o que tem de ser dito soletra-se no silêncio, e ocorre isto que é tão precioso e afinal tão raro: sem defesas, um coração coloca-se à escuta de outro coração. “Em teu abraço eu abraço o que existe,/ a areia, o tempo, a árvore da chuva./ E tudo vive para que eu viva” — garantem os versos de Neruda.Calcula-se que um ser humano precise de 1500 abraços por ano para sobreviver. Dá uns quatro abraços por dia. Mas os números podem subir, pois encontram-se instruídos nessa humaníssima ciência chamada abraçoterapia a defender 12. Está também calculado – para quem ache graça à semântica dos números – que a duração média de um abraço entre duas pessoas é de três segundos. Mas há abraços mais demorados. O dos chamados “amantes de Valdaro”, por exemplo, tem pelo menos 6000 anos. Trata-se de dois esqueletos que remontam ao Neolítico, descobertos, há não muito tempo, numa necrópole perto de Mântua. Crê-se que pertenceram a uma mulher e um homem, entre os 18 e os 20 anos. Representam algo de único no mundo, quer pela antiguidade, quer pela posição em que foram encontrados: os corpos vizinhos e cruzados, o braço dele em torno do pescoço dela, numa espécie de abandono que talvez tenha sido o de um amor. Não há sinais de violência e, por isso, exclui-se a hipótese de terem sido mortos. O mais provável é que tenham perecido a uma doença, de fome ou de frio. Há 6000 anos, porém, o seu abraço permanece inalterado.
Um dos momentos mais extraordinários da arte contemporânea portuguesa é a sequência fotográfica, de Helena Almeida, intitulada “O Abraço”. São sete imagens de grandes dimensões (180 x 100 cm) em que a fotógrafa e o marido se abraçam. Apenas isso. Estão ambos sentados num banco que só dá para uma pessoa e apertam-se, agarram-se, suplicam-se, buscando no outro amarra, como se navegassem numa jangada destinada a um naufrágio irremediável. Por vezes o abraço deles parece uma luta, por vezes um reencontro para sempre. Os corpos dão-se a ver numa fragilidade que dói, num equilíbrio mais do que precário, instáveis e tensos como não se julgaria. Mas são, em todo o tempo, o radical abrigo um do outro, a passagem mais do que a fronteira, o interminável espanto de reconhecer no corpo do outro o nosso, no nosso o do outro.
[José Tolentino Mendonça | A Revista Expresso | Edição 2256 | 22/01/16]

sábado, 23 de janeiro de 2016

SAUDADE de Pablo Neruda



-Qué será?... yo no sé... lo he buscado
en unos diccionarios empolvados y antiguos
y en otros libros que no me han dado el significado
de esta dulce palabra de perfiles ambiguos.

Dicen que azules son las montañas como ella,
que en ella se oscurecen los amores lejanos,
y un noble y buen amigo mío (y de las estrellas)
la nombra en un temblor de trenzas y de manos.

Y hoy en Eca de Queiroz sin mirar la adivino,
su secreto se evade, su dulzura me obsede
como una mariposa de cuerpo extraño y fino
siempre lejos -tan lejos!- de mis tranquilas redes.

Saudade... Oiga, vecino, sabe el significado
de esta palabra blanca que como un pez se evade?
No... Y me tiembla en la boca su temblor delicado.
Saudade...

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

HUMAN Extended version VOL.1

A comuna paradisíaca dos avós

ou de como chegaremos a ser sábias, bonitas e velhas

De vez em quando, penso como chegarei à idade maior. Visualizo-me a chegar aos 100 anos, sem maleitas nem dores, sorrindo sempre e muito lenta.
Para isso, às vezes decido que, dia-a-dia, preciso de ter esse objectivo/visualização na cabeça. Já deixei de fumar há 11 meses. Comecei a fazer exercício. Não como carne. Não me alimento propriamente mal. Sonho muito. Durmo bem e sem despertadores. Rio-me bastante. Quero dançar mais. Relaciono-me com animais e em breve ainda mais.
E, felizmente, conheço algumas verdadeiras vivas inspirações que já tocam os 80. Hoje apresento-vos apenas três delas:
A senhora Luísa (grata Gabriela por a partilhares comigo), grata Luísa por me deixar chamar-lhe avó de vez em quando.
O Manuel Maneira poeta, artista, agricultor, companheiro, para o qual não sobram nem chegam as palavras. Acaba de lançar um livro à beira dos 80 anos e é uma verdadeira inspiração para uma enorme e dispersa comunidade no Alentejo.
A Lucinda ainda conduz o seu pequeno carrito branco, todos os dias... e, apesar do luto carregado, tem um sorriso tão malandro que dá gosto desafiar em cada momento.
e tanta gente mais... que apresentarei a seu tempo.

E depois há ideias e organizações.
Este projecto é, há anos, uma inspiração para mim: http://www.elmundo.es/madrid/2014/06/14/539c8bcc268e3e3f6c8b4572.html
e hoje chegou-me às mãos este maravilhoso artigo:
https://www.diagonalperiodico.net/culturas/28104-viejas-pellejas-tradiciones-y-vanguardias.html

o meu elixir de menta da Grécia...

comprar um recipiente de plástico com um líquido colorido dentro cheio de químicos para pôr na boca? para quê???!!!!
Desta foi a vez de experimentar a receita caseira do elixir bucal...

Ingredientes:
meio litro de água a ferver
4 colheres de chá de menta seca
2 colheres de chá de sementes de anis (usei estrelas de anis inteiras)
Deitei a água sobre a menta e as sementes de anis. Tapei, deixei arrefecer. Depois foi só coar e guardar numa garrafa de vidro. Agitarei antes de usar... mas não sei para quê ;-)
Agitei também antes de usar. parece que fica mais activo tudo, assim.

Fiz esta receita com menta da Grécia porque ela teve a amabilidade de me vir amorosamente parar às mãos. Obrigada, meu amor!
Suspeito que pode ser feito com qualquer menta caseira que tenham no quintal (seca) ou comprem no mercado biológico mais próximo de vocês.
 

Fora com os maus cheiros em tecidos e também no ambiente!

Ingredientes (para 1 litro de água)
1 litro de água
1/4 copo de álcool
1 colher de sopa de bicarbonato de sódio
1/2 copo de vinagre de álcool
1 colher de sopa de amaciador de roupa

Preparação: 
Juntar primeiro a água, o álcool e o bicarbonato. Vai efervescer e criar espuma. É bom usar um recipiente um pouco maior do que a quantidade a misturar.
No final, juntar o vinagre e o amaciador.

Depois, colocar a mistura num borrifador e pode ser aplicado em cortinas, cobertores, tecidos, sofás.
Para usar no ambiente, fazer a mesma mistura mas com umas gotas de óleo essencial em vez do amaciador.
Eu costumo usar essência de alfazema  ou de maçã verde.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Esta noite o medo pairou sobre a nossa cama.
Talvez apenas sobre a minha parte da almofada.
Afastei-me de ti para te não contagiar. Vieste abraçar o meu abraço.

A vida segue. a chuva cai.



segunda-feira, 5 de outubro de 2015

para contar



"A minha avó dizia-me que quando uma mulher se sentisse triste, o melhor que podia fazer era entrançar o seu cabelo; de modo que a dor ficasse presa no cabelo e não pudesse atingir o resto do corpo. Havia que ter cuidado para que a tristeza não entrasse nos olhos, porque iria fazer com que chorassem, também não era bom deixar entrar a tristeza nos nossos lábios porque iria forçá-los a dizer coisas que não eram verdadeiras, que também não se metesse nas mãos porque se pode deixar tostar demais o café ou queimar a massa. Porque a tristeza gosta do sabor amargo.
Quando te sintas triste menina- dizia a minha avó- entrança o cabelo, prende a dor na madeixa e deixa escapar o cabelo solto quando o vento do norte sopre com força. O nosso cabelo é uma rede capaz de apanhar tudo, é forte como as raízes do cipreste e suave como a espuma do atole.
Que não te apanhe desprevenida a melancolia minha neta, ainda que tenhas o coração despedaçado ou os ossos frios com alguma ausência. Não deixes que a tristeza entre em ti com o teu cabelo solto, porque ela irá fluir em cascata através dos canais que a lua traçou no teu corpo. Trança a tua tristeza, dizia. Trança sempre a tua tristeza.
E na manhã ao acordar com o canto do pássaro, ele encontrará a tristeza pálida e desvanecida entre o trançar dos teus cabelos…"
Registo da antropóloga Paola Klug, Fotografia tirada na Nicarágua por Candelaria Rivera, do ensaio fotográfico: "Amor de Campo"