sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
burocracias... de uma viajeira aventureira
Já para alterar a passagem Buenos Aires-Madrid-Lisboa (nao sei se é por estarmos a falar só de capitais...), via Turangra (a tal empresa também dos açores...) o custo de reemissao do bilhete é de 150 euros. Até aqui tudo bem, já eu sabia. Mas ao que parece tem um custo acrescido de 950 euros para eu poder ir mais tarde, no ano, na vida... Obviamente que estou a consultar outras hipóteses, curiosamente os escritórios da Iberia na Argentina sao uma ficçao e o call center de Espanha um desespero em fila de espera (tipo call center da Sata)... Daí que vejo-me forçada a faltar forçosamente ao voo que com muita força me levaria de volta à península, no próximo dia 2 de Março ... Assim, ficarei mesmo aqui, por terras latino-americanas, à espera, à espera, à espera da lua cheia, sem regresso marcado. Vai daí que se, na altura, me faltar o tostao... irei de barco. Genuíno, arranjas-me uma boleia?
Socialismo, social-ismo vivo, socialismo cultural
Adeus Argentina
- Bom dia Bolívia.
Amanha cruzo a pé a fronteira Argentina-Bolívia, entre La Quiaca e Villazón. É assim, dizem-me. Uma ponte que terei que cruzar a pé, mochilando a casa e a parte da vida que trago comigo.
Dois meses na Argentina já servem um tratado que nao estou a conseguir escrever, condensar, absorver. Andar sozinha acelera todos os processos. Viajar sem rumo faz palpitar certezas e acentua dúvidas. Ser mulher, torna tudo mais feminino... é dos meus olhos, claro! Faço paz com os homens. Olho as mulheres. Cruzo-me com pessoas (sem género!).
Das reflexoes mais recentes nasceram-me dois cadernos manuscritos em divagaçoes amorosas, políticas, sociológicas, históricas... enfim! Na última viagem (desde ontem às 14h30 até hoje às 17h30), fiz uma lista do que eu faria se fosse presidente do Governo dos Açores (eheheh). Atempadamente, iniciarei a campanha ;) Equipa procura-se!
Ao mesmo tempo desenho projectos para o futuro. Faço mandalas com aguarelas. Procuro incessantemente um caminho único. Um sentido maior. Tudo me parece possível, hoje. Mudar o mundo, uma organizaçao local com olhos no global, uma nova vivencia de ilha e de regiao, a minha rua (que nao tenho), a minha casa que sou apenas eu.
Na 2ª feira começo o trabalho na Performing Arts, Cochabamba, Bolívia. Por enquanto, na Argentina, todas as pessoas suspiram quando digo que vou para aquele país... (aquilo é muito desorganizado... dizem. Eu vou ver.)
Destes dois meses, uma certeza... cidades? Nao, obrigada! Cafés? Sim. Mate, terra a perder de vista, rios. A relatividade das distâncias... aqui estar perto é estar a 1000Km. Buenos Aires é cidade... o resto do país é a Argentina! Profunda. Aqui em Jujuy até se notam diferentes os traços e os olhares das pessoas na rua. Sao pessoas mais antigas. Mais bonitas (digo eu).
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Alento II
encerro pegadas
enraizadas da água
vou de barco
para estar perto do infinito de cegar
escorrego. Nao chego a cair
a viagem faz-se com a alma
nao com o viajar
algures o caminho se estria de sombras
e é dor
a travessia
a saudade
a miragem
parar
vivo todos os dias
sem me doerem pegadas
as feridas, os calos contam a vida
pareço flutuar
mas quando carrego a casa
é salgada de mirra a caminhada
deixarei, entao, para trás,
no porto, a memória
rumo a outro lugar.
quando me cansem os pés
pousarei o regaço no teu colo
cheio de saber olhar
deitada
ondulando ao vento.
hei-de chegar
aí, onde param as palavras
poderei, finalmente, repousar
a cabeça
no aroma do teu abraço
novo
magro
terno
beijarei os teus pés
com a água salgada dos meus olhos
tu beijarás os meus
os pés, os olhos
tu serás o barco
eu a casa.
(dedicado ao Alento de RP)
um certo jeito
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
chuva tropical
al otro lado del rio
estou muito perto da ilha do leprosario do filme "Diarios de motocicleta" ou, em português "Diários de Che Guevara"! Do outro lado do rio fica o Paraguay. A musica do uruguaio Jorge Drexler redonda a minha cabeça, a invade e aperta o coraçao.
É lindo isto por aqui...
A ilha já nao tem o leprosário mas uma instalaçao turística...
O outro lado do rio, como o outro lado do mar, e sempre um lugar novo para se ser outra vez.
Eu.
eu, a pedido de várias famílias...
o mundo gira
O mundo gira e, como disse o poeta, pula e avança.
Uma pessoa parada nao move o mundo que a move. Há, por isso, que viajar! Correr. Estar quieta, aprender a paz mas nunca parada. Caminhar livremente, num planeta sem fronteiras! Em definitivo, o mundo será um lugar melhor quando se derrube a última fronteira. Utopia para construir! Ir construindo!
o buraco de uma fechadura
é tao somente uma porta.
A mao, a maçaneta, as dobradiças
as temos, cada um e cada uma.
Tudo o que rodeia
uma porta
é tao somente uma parede.
a matéria de que é feita
a decidimos, cada um
e cada uma.
Tudo o que rodeia
uma parede
é tao somente prisao.
Se olharmos pelo buraco da fechadura, pode ser que alcancemos vislumbrar o interior de estar pres@ ou a própria liberdade. Tudo depende do lugar onde cada um se encontre. E, para isso, para posicionar-se, cada um e cada uma tem as maos próprias que abrem portas, derrubam prisoes.
Karai, mulher e filho
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
o meu mate...
é relindo!!! Relindo nao é uma palavra inventada por mim. É espanhol argentino!!! E funciona!. Re-lindo. Re-feo. Re-comprometido! Re para tudo, tudo, tudo...
Enfim, este é o meu mate, uruguaio, curado na Argentina durante 5 dias com yerba uruguaia também (por acaso, nada de propósito) chegou a San Ignacio e... hummm... cebei-o eu mesma para mim! e humm, é bom!
Quando inventarem o envio de cheiros e sabores por email... eu envio! Até lá, mando as minhas palavras (para os guaranis, a palavra é de tal modo ouro que nem escrevem!!! apenas vivem a oralidade. E toda a cultura se tem transmitido assim. E é perfeito, acreditem!)
Para mim, tomar mate é já eu!
brasil
Que me desculpem os que nao se têm cruzado comigo... Nao quero generalizar!
indios sul americanos
Fujo das cidades. Depois de ter estado, ontem, nas Cataratas do Iguazu (para as quais nao me sobram as palavras) hoje aterro em San Ignacio. Esta noite já estive nas ruínas Jesuítas. Um novo mundo se me apresenta. Os índios guaranís estao perto e vivem em 10 aldeias à volta de San Ignacio. Resistem. Sobrevivem à pressao do branco. À minha, à tua, à de quase meio mundo...
Aqui ao lado, saíndo da província de Misiones, na vizinha El Chaco, um genocídeo faz-se presente na vida desnutrida de milhoes de aborígenas. Essas imagens deste lado do mar vivem absolutamente escondidas e negadas pela classe política, pela sociedade em geral, pelo mundo. A mim, dizem que nao há nada para ver, lá. Eu nao quero ver. Quero denunciar!
(ler o artigo (em periodismo, notas y articulos) de Mempo Giardinelli aqui)
(fotografia documental aqui)
sábado, 20 de fevereiro de 2010
os putos
de olhos e cabelos negros
beleza em estado escondido
- un peso!
e um peso.
Sao como gatos
vivos.
- un peso, señora!
e uma vida a mais
- no, ahora no.
e uma vida a menos.
Os putos contam as vidas
em pesos
e pesam-me os pesos
na carteira
- vamo'! sienta te. Puedes?
Diz que sim.
brilha-lhe no rosto negro o olhar
chama-se puto
e nao tem outro nome.
como os gatos da rua
num bar de tango
em puerto del iguazu.
argentina.
profunda.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Encontrei um (o?) lugar!!!
E adivinho-me, sem dúvida, simplesmente feliz!
No inverno apenas vivem 100 pessoas no Cabo Polónio, que é uma reserva natural... O isolamento é, certamente, uma dureza, uma provocaçao para a resistência humana!
Ao largo de Cabo Polónio naufragaram muitos barcos.
Ali, faria um filme. Um doc.
Eu apaixonei-me por aquele farol. E pelo grito dos lobos marinhos. E pelas cabanas de madeira... e pelas dunas móveis... e pela omelete de algas... e por ... e por... e por...
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
o adeus, a memória, os registos
As despedidas, as mortes, as perdas... sao um assunto que me ocupa muitas vezes o pensamento e me têm constantemente provocado a um novo (ou re-novo, ou renovadoi) auto-conhecimento. Nao consigo concretizar a ideia que me atravessa o cérebro nos imediatos segundos antes de me despedir de alguém. Creio, a posteriori apenas, que há, algures por aí, um sentimento de perda com o qual só recentemente comecei a aprender viver...(E viver com ele é aprender a nao posse, aprender que ninguém é de ninguém, aprender que nada é eterno). Nao chego a racionalizar o pensamento que me aparece nas despedidas mas, ainda assim, as lágrimas chegam (ainda que só por dentro do olhar...) e dói. Nao gosto de despedidas! Nao gosto que me doa, nada! Hummm... e isto nao interessaria nada se ontem nao me tivesse voltado a bailar o choro quando abracei a Natalí e ela me deu uma metade de pedra Picasso (a outra metade guarda-a ela) ou se hoje, precisamente hoje, nao tivesse conhecido o Jorge. Uruguaio maior que se me cruzou no caminho porque tinha que ser, porque eu tinha que aprender que ele perdeu um filho com 8 anos, que se separou da mulher há 6 por honra e ele nao queria ser o mau da fita, para a filha, sempre! Disse à mulher: "Se aprovares este casamento, eu vou-me de casa!". E foi.
...
Eu nao fiz nenhuma foto hoje porque fiquei sem bateria na máquina e ... pior! deixei o carregador em Montevideo... Depois, pensei (para nao me angustiar, eu sou jeitosa a dar a volta ao texto, dizem...) que já há na internet milhoes de fotos de Punta del Diablo e podia passar sem as minhas...
Sim, estou aqui. Acreditem! Posso provar com o olhar.
e com as palavras.
mas também tenho pensado sobre isto. Para que escrevo eu, afinal? Para registar o que penso, para me daro prazer de brincar com as palavras hoje para reler mais tarde o que vivi? Mas ler o que escrevi sobre o que penso que vivi... ???? é tudo o plano do pensar. nao é de facto isso que importa. Isso nao é ser. (estou outra vez num computador onde nao posso colocar o til sobre o 'a' em sobre o 'o'...
A única coisa porque valerá a pena continuar a escrever é porque há pessoas que me lêem, me vêem, me sentem (e outras que me conhecem) através do blogue. Bem sei :)
Mas... se eu deixar de publicar é tao somente porque estou a tratar de viver mais e registar exteriormente menos. Por isso, hoje, até a máquina fotográfica fez boicote a um dos mais extraordinários pores-do-sol que alguma vez vi! Ao sul ou ao norte. Só comparável com ... nao digo !
domingo, 14 de fevereiro de 2010
Punta del diablo
sábado, 13 de fevereiro de 2010
Chego ao Uruguai
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Nocturna - tango e acrobacia aérea
Uma das frases que me ficou a ressoar no ouvido (e não sei mais onde...) foi:
"después de se conocer una mujer alada, como se puede querer a una mujer terrestre?" (autoria não identificada no programa do espectáculo)
http://www.circovaiven.com.ar/menu.html
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Labjovem 2009
Agora, a mim, falta-me saber quais as razões do júri composto por Miguel Borges, Anabela Morais e Hélder Xavier.
Mais um triste subsídio para a cultura nos Açores.
vou de barco
vou ir...
aportarei na saliva gasta
pela boca do oceano atlântico
lá,
onde o rio abraça o mar
e é mar e rio
o que se confunde
e se namora
não espero chegar
nenhuma chegada
vou ir...
como se diz
lá,
longe,
na terra
onde o mar não tem rio
e se abraça
se confunde
e se namora ilha.
das mãos solto um perfume
de pinho e maçãs verdes
trinco uma tua, madura
e deito-a na tua cama
que nunca toquei
pouso uma fogueira
na pedra do teu chão
tu não estás
adormeço no teu colo.
quando voltares,
eu já não estarei na tua casa
nem no teu jardim.
serei pássaro nessa janela
serei a casa
de madeira com sabor a pinho
serei o jardim.
Buenos Aires, helado e...
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
correcção - Teatro Comunitário
O Teatro Comunitário nasceu na Argentina em 1983, (e não em 1976, como eu tinha referido num post de ontem).
Está feita a correcção, que já me endoutrinei sobre o assunto... ehehe. O grupo responsável por esse achado chama-se Catalinas Sur e o seu director é o uruguaio Adhemar Bianchi.
Caminito - Conventillo de los artistas
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
La boca - um bairro e um porto. Caminito
É La Boca, em Buenos Aires. A boca aberta para o rio.
Ali, foi onde nasceu em 1976 o Teatro Comunitário. Ali é onde fica o estádio de futebol do Boca Juniors (e ao que parece não é esquecível assistir a um jogo de futebol ali...). Ali, em tempos, foi içada uma bandeira genovesa e o bairro proclamado república independente.
Ali, o porto recebeu milhões de imigrantes europeus no início do século passado.
Ali, dança-se tango em ruelas estreitas. Sem saltos altos, de meias de rede rotas pelos anos e a usagem...
Ali, no Castillo (pátio) dos Artistas passei hoje uma tarde maravilhosa a ouvir o senhor Carlos tocar bandoneon. Apanhei-o surpreendido pela chegada de uma personagem (como ele próprio lhe chamou) austríaca que veio cumprir uma antiga promessa: a de que voltaria e lhe traria um colete da sua terra. Entrega feita. Com testemunhas. Depois, tocaram juntos, bandoneon porteño e acordeão austríaco. Para mim, tocaram um fado de Lisboa. Todas uma tarde que foi um grande bom momento.
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Teatro Comunitário
O master em criatividade continua...
Aqui, abaixo da linha do Ecuador, encontro inspirações. Novo ar. Estudar faz mesmo bem à saúde, gente! É como o Teatro... e a Arte, em geral... eu não dizia?!
Por exemplo, leio sobre Teatro Comunitário...
"No hay casting ni figuras principales. El Teatro de Vecinos se hace con quienes acuden a las convocatorias de animadores sociales espontáneos. Los grupos nacen y ensayan en las plazas o en la “plaza techada” de algún galpón. Primero se escuchan y escuchan el entorno. Después se produce. Se canta, se escribe, se baila, se juega, se mancomuna el trabajo y se continúa escuchando al que pasa, al que llega, al que reacciona. Son voces corales con pertenencia a algún territorio: barrio, pueblo, pequeña ciudad. El territorio contiene historia común y vivencias diferentes, que lejos de confrontar posiciones, facilita las múltiples miradas por considerar. El territorio garantiza la diversidad de miradas, de edades, de condiciones físicas y emocionales que parirán frutos propios, ninguno igual al de otros grupos y por ello, tan asombrosos y vitales. El territorio compartido ofrece –además- una clave de persistencia: ofrece cercanías; a todos les queda a mano el ensayo, el encuentro semanal, la asistencia regular hasta que madura la obra, se la representa y continúa creciendo. Las obras hablan de los otros, pero siempre, de ellos mismos. La autoindagación y la autocrítica afloran ineludiblemente en las etapas previas, y por eso, en escena, la autocrítica aparece procesada grupalmente, como una voz que arrastra el consenso de todos. Una voz con alcance artístico para que conmueva, y no sólo entretenga. El teatro comunitario es narrativo, musical y sencillo. Fruto sabroso de comunicación cívica, cultivado con relevante esfuerzo y desinhibición de las marcas dejadas por la educación elitista del arte. Pura imaginación y aprovechamiento de la diversidad natural y cultural, para concretar lazos de esperanza social que repercuten más allá de las actuaciones, es decir cuando la vida cotidiana del barrio, del pueblo, de la pequeña ciudad que comparten los encuentra remozados en sus prácticas de convivencia." (escrito por María Azucena Villoldo)
Folclore Argentino, não é tango!
Aprendi a dançar uma chacarera e um zamba. Ehehe, depois, no final da aula, um grupo começou a tocar ao vivo! Lindo, vai daí... baile!!! 2 guitarras cantando e um bombo! Os dois rapazes são filhos de uma família de músicos tradicionais muito conceituados na Argentina, de Santiago del Esteiro. Lindo, lindo, gente tão nova a manter vivíssima a música tradicional, popular, na cidade capital ... é que aqui, na Argentina, música tradicional é também sinónimo de canto de intervenção... a ver se dou um exemplo, a Mercedes Sosa (para além de tudo o mais) é um ícone do Folklore Argentino... entende-se? As diferenças? - eu bem digo que se poderia dançar o fado ou, quem sabe, Zé Mário Branco ou Zeca Afonso... mas porque não??? - tou a brincar, tou a brincar... - mas que me diverti, diverti. Depois uma miúda de 20 anos, cantautora, voz e guitarra, apenas... pronto. Acredito que a Sofia Viola ainda vai ser grande, um dia. E hoje, inscrição em taller de acrobacia aérea... e tarde a ensaiar a palhaça... ai... ui... e estudos sobre Teatro Comunitário e a História da Argentina. E agora, saio correndo a ver um espectáculo sem palavras... a la gorra. Será que estou de férias?
sábado, 6 de fevereiro de 2010
Hino à vida
e cantasse ou contasse um hino
eu hoje diria à vida
- estou grávida de ti!
Pablo y Natali
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Bolsas de Criação Artística - Açores
BALEEIRAS - uma odisseia contemporânea
de Maria Simões
a partir de Dias de Melo e Homero
olé!
que nunca seja por falta de candidaturas completas, entregues perfeitamente dentro do prazo e que nos levam horas e dias de trabalho já criativo...
Terrorismo
one man terrorist,
is one freedom fighter man
dito por outras palavras...
o terrorista para um é um lutador pela liberdade para outro.
Para mim, é tudo uma questão de perspectiva e de ponto de vista. Façamos o exercício. Procuremos as definições...
Irlanda em Buenos Aires
The Cranberries
e eu não vou?
* (o nome faz-me lembrar o Luna Parque, lisboeta... contado magistralmente pelo mestre Mário Henrique Leiria e que gosto tanto de ler...)
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Tango
Mas o tango, para além de se tocar e cantar, dança-se (como eu sempre defendi que se deveria dançar fado...). E é uma dança machista. Sim, é machista, por princípio, tradicionalmente.
Os homens passam a vida a recordar-mo (ehehe! Já se sabe, tenho tendência a não me deixar conduzir...) mas eu consigo, sem dúvida que consigo, ser conduzida. Acreditem!
O papel que cabe às mulheres, no tango, é o de simplesmente serem belas, femininas (seja lá isso o estereotipo que for), e deixarem-se levar. No fundo, no tango os homens crêem que dançam para as mulheres suas pares... e fazem-nas (nos) dançar. Quando temos a sorte de estar perante um verdadeiro bailarino de tango... dançamos divinamente. Acreditem! Basta deixarmo-nos levar! E saber usar todas as oportunidades que tivermos para improvisar e surpreender. Como um jogo. Pura sedução. Uma brincadeira.
Milonga é o local onde se dança tango. No fundo, a pista de dança. Por aqui, na catedral, há todos os dias aulas (que estão cheias), seguidas de milongas! É um sítio brutal. Um armazém antigo, cheio de cheiro de história e cultura, com espaço para comer (restaurante vegetariano onde tudo é delicioso e barato), bar, mesas, cadeiras, sofás, um espaço andaimado para concertos ou música ao vivo... e milonga! Eu, por acá ainda estou a aprender apenas os passos das mulheres... Ser homem, nestes momentos, é para mim muito difícil (ehehe). Daí que, guapos y guapas azoric@s de mi corazón, cuando llegue aí quiero tener con quien bailar, hoyé!
Mas, mais do que isso, o tango é uma dança de um corpo só. Em equilíbrio e desequilíbrio constante. Como a vida, aliás. Não importa se dança um homem e uma mulher, ou se dançam dois homens ou duas mulheres.
Importa que é mesmo lindo dançá-lo. Que a liberdade passa efectivamente por aí. Que, mais do que simples folclore, as danças de um povo reflectem a sua forma de ser, de estar. Importa que duas pessoas, no fundo, se estão a respeitar quando o dançam, se estão a entender, a comunicar e que ambas podem, se assim o quiserem, simplesmente ouvir a música e voar com e sem os pés no chão. É primo de liberdade, isto, não é? Dançar vale mesmo a pena! Encostar as cabeças, também. E no tango, essa é a posição base.
que, como diz um amigo,
outro,
Morfeu abandonou-me...
acordo com "Um sonho impossível" na cabeça
e procuro depois "Bebo y Cigala"
para cantar de quem tenho saudades...
estou a terminar a candidatura às bolsas de criação artística da DRAC (Açores)...
porque raio teimo em continuar a acreditar que "água mole em pedra dura..."?
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
muito, muito longa...
mas nao a escrevi,
ainda.
porque
eu queria saber escrever.
eu queria poder contar.
e eu queria nao precisar de palavras
para ninguem
para nada
mas prendem-me as palavras
e as saboreio
e me invadem
as ideias
o pensamento
livre
procuro nao pensar.
passo muito tempo nos cafés de Buenos Aires, onde afinal saberia viver. Nos cafés... e em Buenos Aires.
escrevo, rabisco, desenho
páro
olho
bebo cafés, cervejas e vinho, fumo
(eu podia ser boémia, afinal!)
danço tango com muitos pares
leio, caminho,
passo tardes na Plaza Almagro
e tudo isto é muito bom!
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
maria elena walsh
http://es.wikipedia.org/wiki/Mar%C3%ADa_Elena_Walsh#Literatura_infantil
http://www.eldiario24.com/nota.php?id=74502
subsídios para a cultura nos Açores IV
Alegra-me saber que, pelo menos em termos de "capacidade de realizaçao a inferir do currículo de actividades ja realizadas", me consideram elevada!
Uau.
Muita água vai correr debaixo da ponte, ainda!
Até porque com ou sem apoio do Governo dos Açores, o projecto vai realizar-se. Pode nao ser exactamente como previa, como sonhei, ou como a regiao mereceria que eu devolvesse em trabalho o investimento publico feito. Mas o projecto vai acontecer e isso é porque a minha "capacidade de gestao, determinada, designadamente, pela adequaçao da proposta de orçamento às actividades a realizar e pela razoabilidade de custos", ao contrário do que suas excias defendem, é elevada, também!